Preocupadas em dar e receber prazer, as mulheres assumem uma nova postura e hoje já são as maiores consumidoras de artigos de sex shop.
Dentre as freqüentadoras de lojas de artigos eróticos, a estudante Júlia, de 22 anos conta que sua primeira visita à loja foi aos 15 anos para “matar a curiosidadeâ€. Mais tarde foi com a intenção de comprar um creme para deixar a pele mais sensível. “Mas não comprei, pois achei muito caro.â€
Júlia, que está sem namorado, acha um desperdício comprar acessórios para usar com alguém que não está realmente com ela. “Precisa ter muito mais que intimidadeâ€.
Na sua lista de futuras compras, a intenção está em finalmente comprar um gel que deixe a pele sensível e talvez algemas. Mas sempre vai conferir as novidades.
“Todo mundo que já fez sexo tem vontade de ir ao sex shop. Inclusive, eu.â€
A advogada Bruna, de 31 anos, que já foi a sex shops na capital paulistana com o próprio marido para fazer compras, faz uma crítica ao atendimento dado nos locais. “Muitas vezes você não leva algo por vergonha de perguntar. O vendedor passou o tempo inteiro só olhando, não ofereceu, não demonstrou nada, nem sequer perguntou o que desejávamos. Parecia algo proibido. É uma loja como outra qualquer, quem vai até lá não vai procurar bombom.â€
Ela conta que foi ao local buscando calcinhas com aberturas e perfumes afrodisíacos. Mas acabou comprando somente camisinhas texturizadas.
É claro que algemas e chicotes chamaram a atenção do casal, mas Bruna conta que a grande maioria dos artigos disponíveis é para quem está “adiantado no assuntoâ€.
“Fomos lá para conhecer novidades e buscar artigos para variar o trivial, dar uma extravasada. Mas chegamos à conclusão de que a maioria dos artigos só estimula quem tem altas fantasias. Para os normais, a maioria dos acessórios não é usável.â€
Entretanto, confessa que o casal se interessou por um anel peniano de estimulação mútua dos parceiros. Mas a compra esbarrou no preço: o mais em conta custava R$ 70,00.
Ao contrário de muita gente, a psicóloga Fernanda, de 33 anos, faz de seu trivial o mais variado possível. Há cinco anos é consumidora assídua de artigos de sex shop e comemora a melhora em sua vida sexual.
“Chega um determinado momento em que você não deve nada para ninguém. E por mais que você tenha um relacionamento sólido, você tem que temperar a paixão, estimular os sentidos.â€
Fernanda conta que ao longo do tempo montou uma “caixa de brinquedos†e que pelo menos a cada três semanas reserva algumas horas para uma grande festa, preparada com muitos elementos lúdicos além dos acessórios.
Dentre os hits da caixa mágica está um óleo comestível de cacau estimulante para ser usado em qualquer parte do corpo. Aliás, o produto também fez sucesso entre as amigas de Fernanda, que pediram pequenas doses para experimentar. “Mas elas ainda não tiveram coragem de comprar pessoalmente.â€
Fantasias de tigresa e lingerie estimulante, cubos eróticos com verbos e partes do corpo, batom em forma de pênis e um consolo à pilha importado também completam a coleção erótica da psicóloga, que não se restringe aos brinquedos. Ela afirma fazer questão de ler contos e assistir filmes com o marido e também buscar novos lugares para fazer amor.
“Tenho sorte de ter um parceiro liberal que me incentiva nesse tipo de coisa. A saúde de um casamento vai de você estimular. Eu tive um resultado muito positivo. Nós conduzimos a nossa intimidade sem nenhum tipo de barreira. Você pode amar demais, ser a melhor amiga da pessoa, querer passar o resto dos seus dias com uma pessoa, mas não pode perder o erotismo. E se existe munição? Por que não usá-la?â€
Nesse sentido, Fernanda conta que mantém sempre alguma novidade e quando não lhe permite comprar algo mais caro num sex shop, faz uma compra de lingerie insinuante. Aliás, conta que faz isto todos os meses. â€œÉ gênero de primeira necessidade. Prefiro gastar com isso que com antibióticoâ€, brinca.
Perfis
Dono de um sex shop em Bauru há cinco anos, João* confirma essa postura feminina. Hoje os freqüentadores de sua loja são 50% casais, nos demais 50% as mulheres na faixa dos 40 anos são predominantes.
Entre os casais, o comerciante também nota a postura decisiva da mulher. “Hoje é ela quem decide uma compra. Muitos homens que vêm sozinhos e ficam em dúvida sobre qual artigo levar acabam trazendo a companheira para bater o martelo. Muitas vezes até a compra muda.â€
Outro dado interessante citado por João é que cresce o número de mães que levam as filhas com idade entre 18 e vinte e poucos anos para dar orientações sexuais, inclusive sobre masturbação.
Mas o grande público consumidor é o interessado em melhorar o relacionamento sexual dentro do casamento, garante o lojista. â€œÉ um temperoâ€.
O comerciante revela que todo mundo busca dar prazer da melhor forma possível é essa a preocupação de quem chega a sua loja. Segundo ele são raros casos bizarrros, apesar de comentar se muito grande o número de chicotes vendidos por mês. “Tem muita gente apanhando por aíâ€.
Entre os produtos mais consumidos, além dos consolos e vibradores, o material introdutório e estimulante lidera o ranking de vendas. E existem cremes, géis e pomadas para as mais diversas funções, de dar sabor à retardar a ejaculação e multiplicar orgasmos.
Para acompanhar os cremes, uma lingerie que deixa o sexo à mostra ou com zíperes estimulam homens e mulheres.
“A mulher de hoje quer segurar seu parceiro a qualquer preçoâ€, comenta João. “Acaba sendo uma alternativa segura e eficaz.â€
Entre as mais jovens, as compras se limitam a pequenos mimos sensuais muitas vezes dados como presente de chá de cozinha ou despedida de solteiro. Mas o comerciante aponta que existem moças que se cotizam para comprar os cubos de posições ou de jogos amorosos para estimular namorados tímidos ou tentar ousadias que tenham vergonha de propor. Brinquedos comprados, segundo ele, elas fazem um rodízio de uso.
Em matéria de gastos, as homossexuais não economizam quando o assunto é prazer. “São as que levam mais e não medem custos.â€
“Hoje só não tem prazer quem não querâ€, diz João taxativo. Conta um dado interessante: as vendas na sua sex shop aumentam sazonalmente em quatro épocas: Dia dos Namorados, Carnaval, final de ano e Dia dos Professores. (Os nomes foram trocados para manter a privacidade das fontes)