Cultura

Carnaval 2003: ainda há esperança

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

“Hoje, a chance do desfile de Carnaval do ano que vem acontecer é de 50%”, diz Pasqual Storniolo, presidente da escola de samba Cartola e diretor da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec). Parece pouco, mas há até alguns meses, essa chance era bem menor, quase nula.

A situação começou a mudar na última sexta-feira quando - numa reunião entre o secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak; o chefe do gabinete do prefeito municipal, Antonio Sérgio Marsola; e os representantes da Lesec, Avelino de Souza, Jaime Silva e Storniolo - a Prefeitura Municipal decidiu permitir que a liga explore economicamente o Sambódromo por três anos.

O decreto do Poder Executivo deve ser publicado nos próximos dias no Diário Oficial do Município.

Assim que for publicado, será elaborado o termo de permissão de uso com todos os detalhes e condições para a utilização do espaço. De acordo com o texto do decreto, a concessão de três anos especifica que a utilização do imóvel terá a única finalidade de obtenção de recursos para os desfiles de carnaval.

Para Souza, presidente da Lesec e da escola de samba Coroa Imperial, a posição tomada pela prefeitura é importante porque permite que as escolas tentem encontrar parcerias e meios para conseguir bancar o desfile. “O espaço fica ocioso e agora com a gente tendo a possibilidade de usá-lo, podemos pensar em alguma coisa para viabilizar o Carnaval”, diz.

A administração municipal afirmou em agosto deste ano - e reafirmou na sexta-feira - que não vai destinar verbas para as escolas realizarem seus desfiles em 2003. A prefeitura se comprometeu, porém, em fornecer todo apoio e infra-estrutura no caso de um possível desfile, incluindo eventuais consertos e reformas do espaço e segurança.

A prefeitura agora aguarda uma posição da Liga. Até o final de novembro os representantes das escola de samba devem decidir se haverá ou não desfile no Sambódromo e comunicar a administração municipal para que haja tempo hábil para providenciar os serviços e reformas necessárias.

Pouco tempo

O problema das escolas agora é o tempo, explica Souza. Para o presidente da Lesec vai ser muito difícil fazer um desfile em 2003 começando os trabalhos nas escolas agora, mas não é impossível. “Estamos perto do fim do ano, teríamos que agilizar muito, mas sempre há uma esperança. Vamos fazer de tudo”, garante.

Na opinião de Storniolo, agora só cabe às escolas conversarem e tentarem fazer “alguma coisa” no próximo ano, mesmo que não seja um desfile com 100% das possibilidades. “Antes a gente não tinha nada, nem mesmo o espaço garantido para sair procurando uma parceria. Agora temos o Sambódromo por três anos e talvez isso ajude a conseguir um apoio ou patrocínio”, diz.

De acordo com os representantes da Lesec, uma reunião vai ser marcada pela liga até o fim da semana para que os membros das escolas bauruenses avaliem a possibilidade de utilizar o Sambódromo e realizar o desfile de 2003.

Souza e Storniolo concordam que, mesmo que o desfile do ano que vem não seja feito, para os próximos anos a possibilidade das escolas conseguirem recursos sem o apoio da Prefeitura são maiores.

Isso não quer dizer, porém, que a liga vá desistir do apoio da administração. “A Prefeitura deu uma alternativa para a gente poder conseguir recursos. Agora depende da boa vontade das escolas em fazer alguma coisa. Assim quem sabe nos próximos anos eles não nos ajudam um pouco mais”, diz Storniolo.

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