Os usuários do sistema de transporte coletivo de Bauru que participaram de um protesto ontem desaprovam o reajuste de 20% da tarifa de ônibus autorizado pelo prefeito Nilson Costa. A partir do próximo dia 3, a passagem custará R$ 1,20. Para a maioria deles, a alta seria aceitável desde que estivesse implantado o passe-integração.
Foi o que constatou o JC durante a manifestação realizada por integrantes do movimento a favor da implantação do sistema integrado de ônibus. Eles distribuíram 5 mil panfletos na avenida Rodrigues Alves refutando o aumento e cobrando a imediata instalação do passe-integração.
O ato de repúdio foi organizado pelo presidente da Associação de Moradores do Jardim TV, Claudinei Teixeira Moura, e foi apoiado pelas associações dos moradores da Pousada da Esperança 1 e 2 e do Nova Bauru.
A líder comunitária da Quinta da Bela Olinda, Matilde Estevan, e o presidente do Conselho dos Usuários do Transporte Coletivo, Rubens Roberto Rodrigues de Souza, além do Sindicato dos Empregadores Domésticos de Bauru e Região, também defenderam a iniciativa.
Segundo eles, a instalação do sistema integrado de ônibus é um direito da população porque está garantido por lei. “Ficamos satisfeitos com o trabalho realizado hoje (ontem), porque a receptividade foi grande. Pouca gente descartou nossos planfletos e recebemos mensagens de apoio. Destribuímos os 5 mil papéis em uma horaâ€, comemora Moura.
A auxiliar de serviços gerais, Sandra Toniza, foi uma das usuárias que leu o panfleto e concordou com as reivindicações. “Quanto antes o sistema integrado for instalado, melhorâ€, cobra.
Já a costureira autônoma Ana Maria Ferraz de Almeida, que usa 18 passes por semana, considera um absurdo o reajuste porque ele vai onerar seu orçamento familiar. Para ela, o aumento deveria vir acompanhado de melhorias imediatas no sistema viário. Concorda com ela o office-boy Tiago Faucete, que considera o novo valor da tarifa de ônibus uma vergonha.
“Como tudo está subindo, entendo o reajuste, mas se a população pode esperar a instalação do passe-integração, então a prefeitura deveria esperar para repassar o aumento aos usuáriosâ€, defende o assistente administrativo Adriano Soares.
Independentemente dos benefícios que a administração municipal garante promover, a estudante Juliana Duarte não aprova a tarifa de R$ 1,20. A dona de casa Sílvia Cristina do Nascimento tem a mesma opinião porque acredita que o trajeto percorrido pelos circulares no município é pequeno.
“A gente não teve aumento real de salário, por isso a alta é muito pesada. Além disso, ouço falar da implantação do sistema integrado de ônibus há dois anos e até agora nada. Uso quatro passes por diaâ€, reclama o eletricista José Carlos Miqueloto.
Também depende da mesma quantidade de passes, a estudante Juliane Godoi Munhoz. Para ela, o discurso da prefeitura de que é preciso reajustar as tarifas para garantir a manutenção adequada do sistema viário é uma falácia. Pensa da mesma maneira a dona de casa Márcia de Souza, que garante ouvir as mesmas promessas há anos, enquanto permanece 40 minutos aguardando os circulares.
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Aumento necessário
Para garantir a sobrevivência das empresas concessionárias do transporte coletivo de Bauru, que já estariam arcando com prejuízos, a administração municipal não teve como postergar o reajuste da tarifa de ônibus. Foi o que informou o chefe do gabinete do prefeito, Antonio Sérgio Marsola.
De acordo com ele, as empresas estariam enfrentando dificuldade para fazer a manutenção da frota, já que quase todos os insumos subiram. “A alta da tarifa está sendo discutida há muito tempo, foi submetida e aprovada pela maioria dos membros do Conselho de Usuários do Transporte Coletivoâ€, ressalta.
Marsola ainda enfatiza que nos últimos quatro anos a tarifa subiu apenas 11% e é uma das menores do Estado em comparação com as cidades de portes semelhantes.
Quanto ao passe-integração, ele informa que no próximo dia 18, o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Edmilson Queiroz Dias, vai a Brasília pleitear recursos ao governo federal para antecipar a instalação do sistema integrado.
“No início do próximo ano vamos começar a implantá-lo, o que vai acontecer em etapas. Não podemos atropelar as coisas. A administração Nilson Costa enxerga o protesto de hoje (ontem) de maneira tranqüila, pois trata-se de uma manifestação democráticaâ€, conclui.