Política

CEI do viaduto é dúvida para Câmara

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A maioria dos vereadores ainda está indecisa sobre a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do viaduto. O pedido, de autoria do vereador Milton Dota Jr. (PTB), deve ser discutido e votado na sessão legislativa de segunda-feira. Mas há a possibilidade de o processo ter sua votação adiada.

Se aprovada, a comissão vai investigar possíveis irregularidades cometidas pela atual administração municipal ao efetuar pagamentos de parcelas da dívida do viaduto à empreiteira Camargo Corrêa, que já somam cerca de R$ 3,5 milhões nos últimos dois anos.

Dota Jr. acusa a prefeitura de iniciar o processo de pagamento sem apurar irregularidade cometida na gestão do ex-prefeito Izzo Filho, que teria autorizado a execução do serviço sem determinar o empenho dos gastos.

Dos 21 vereadores que compõem a Câmara, a editoria de política do Jornal da Cidade manteve contato com 20 para saber deles o posicionamento sobre a instalação da CEI.

A consulta apontou como resultado a indecisão. Doze parlamentares afirmam que ainda estão avaliando documentos e esperam, para hoje, o envio de outros por parte do chefe de Gabinete da Prefeitura de Bauru, Antonio Sérgio Marsola.

Sete vereadores afirmam, com convicção, que aprovam a instalação da comissão de investigação. Eles compõem o grupo que, junto com Dota Jr., assinaram o documento inicial pedindo a apuração da denúncia. São eles: Toninho Garmes (PSDB), João Parreira (PSDB), José Clemente Rezende (PSB), José Humberto Santana (PV), Luiz Carlos Valle (PSB) e Rodrigo Agostinho (PMDB).

Apenas um - Paulo César Madureira (PPB) - diz que seu posicionamento só será conhecido na hora da votação. Pastor Luiz (PL) foi o único parlamentar não localizado pela reportagem para comentar a questão.

“Passar a limpo”

O vereador João Parreira acha que chegou a hora da Câmara Municipal “passar a limpo” a questão do viaduto inacabado do Centro da cidade. “A população merece essa explicação”, afirma.

Parreira diz que a trajetória de construção da obra está “mal-contada”. Primeiro porque falou-se que ela não custaria nada para Bauru e que os recursos viriam do governo federal. Depois, porque o prefeito da época (Tidei de Lima) chamou os vereadores para dizer que precisaria de R$ 10 milhões para fazer o viaduto, garantindo que a obra seria terminada com esse empréstimo”, lembra.

O tucano avalia, ainda, que é preciso “ver com olhar mais crítico” a questão da federalização da dívida do viaduto pela administração municipal.

“E o prefeito diz que está cumprindo seu dever pagando a dívida. Mas e as dívidas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS, da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), da Fundação de Previdência dos Municipiários (Funprev). Essa história de pagar o atrasado é que é preocupante”, opina.

Já o vereador Edmundo Albuquerque (PPS) afirma que o problema envolvendo a construção da segunda alça do viaduto é da administração do ex-prefeito Izzo Filho.

“Não acho que seria bom para a Câmara Municipal ficar em cima de um problema do passado, ainda envolvendo o ex-prefeito. O que tínhamos de fazer, já fizemos. Acho que temos que avançar e não retroceder”, analisa.

O parlamentar, no entanto, diz que seu posicionamento ainda depende de uma conversa que pretende ter com seus colegas de plenário.

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