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Minha bicicleta, minha vida

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

O ano era 1989, época em que o empresário bauruense João Aldo Paciello, mais conhecido como Foguinho, ainda trabalhava em uma universidade de Marília. De repente, o susto. Falta de ar e dores no peito obrigaram-no a ser levado às pressas ao hospital da cidade para submeter-se a um cateterismo.

Depois de diagnosticar o princípio de infarto, motivado também pelo stress adquirido no trabalho, e curar Paciello, o médico lhe dá um ultimato que transformaria para sempre sua vida: teria de abandonar o cigarro, vício que o acompanhava desde os 12 anos, e praticar pelo menos uma atividade física diariamente. “Ou fazia isso ou não teria mais muito tempo”, conta ele.

Encostado na parede, Paciello resolveu comprar uma bicicleta ergométrica para se exercitar e cumprir à risca as determinações médicas. Entretanto, não demorou e logo enjoou do aparelho. “Ela auxiliava na saúde, mas o difícil era ficar andando uma hora olhando para as paredes e sem sair do lugar”, enfatiza o bauruense.

Com isso, em 1990, o empresário rapidamente trocou a ergométrica por uma bike de verdade. Ao agir assim, Paciello mal sabia que tal decisão tornar-se-ia responsável por uma mudança radical em seus hábitos e, principalmente, gostos pessoais. A partir do momento em que passou a andar na bicicleta, apaixonou-se pelas “magrelas” e o contato com a natureza.

No começo, conta ele, andava apenas pelas ruas e avenidas bauruenses sempre em pequenos percursos de cinco e seis quilômetros e tinha de contar com uma “forcinha” da esposa Marilene. “Não tinha fôlego para retornar e, por isso, ela me buscava de carro”, afirma ele. Apesar disso, a vontade e o amor de Paciello pelas bikes aumentavam na mesma medida das distâncias percorridas e dos amigos de pedal.

Desta forma, não demorou para o empresário criar, em fevereiro de 1991, um grupo de admiradores dos passeios com as “magrelas”, o VaiQuemQué, que existe até hoje com cerca de 50 integrantes. Desde então, e graças às várias trilhas já efetuadas em Bauru e região, a bicicleta transformou-se em uma de suas principais razões de existir. “Atualmente respiro bike e acho que, se deixar de pedalar, minha vida acaba”, considera Paciello.

Benefícios

Paciello brinca ao relatar os benefícios adquiridos ao seu corpo e mente através dos passeios com as bicicletas. “Elas fazem tão bem à saúde que costumo dizer que quem pedala não morre”, diz ele. E acrescenta: “Estou sempre bem e nunca mais tive dores de cabeça ou qualquer mal-estar.”

Além disso, o empresário garante possuir fôlego privilegiado . “Hoje, sou capaz de pedalar tranqüilamente entre 30 a 40 quilômetros. O condicionamento físico independe de idade. Quem o tem, domina qualquer situação”, frisa o bauruense.

E para conseguir tal forma digna de atleta, Paciello dedica-se diariamente a pedalar, pelo menos, 20 quilômetros. Como todo bom apaixonado por bicicletas, não vê a hora de montar na “magrela”. “Quando o horário do treino vai chegando, por volta das 17h30, a ansiedade me domina e tenho medo até de clientes chegarem nesse horário”, confessa o empresário.

Já há 11 anos pedalando ininterruptamente, Paciello garante ter acumulado uma quilometragem de fazer inveja a muitos esportistas: mais de 32 mil quilômetros. Para fazer esse cálculo, o bauruense utiliza três hodômetros já zerados e o atual da bike - uma Trek de 11 quilos -, que já totaliza mais de 2.400 quilômetros rodados. “Os hodômetros zeram quando atingem a marca dos 10 mil. Como tenho três nessa situação, é só fazer as contas”, salienta.

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Loucuras e aventuras

Não faltam loucuras e aventuras no currículo de “biker” do empresário bauruense. Uma das maiores, conta ele, ocorreu quando Paciello resolveu comprar uma bicicleta Trek, produzida inteiramente em fibra de carbono e com suspensões dianteira e traseira a ar e óleo. “Quando a vi pela primeira vez, foi amor à primeira vista. Consultei a importadora para checar o preço, que era de aproximadamente US$ 4.200, e decidi fechar negócio”, conta.

Entretanto, para isso Paciello teve de dar como entrada uma bicicleta tão boa e rara como a que pretendia adquirir. “Consegui US$ 2 mil nela e inteirei o resto. Difícil foi explicar depois para a esposa o que havia feito”, destaca ele, rindo. “Entretanto, ela me apóia muito hoje e sempre brinca falando que minha primeira grande paixão é a bicicleta, e não ela. Mas isso não é verdade”, sustenta o bauruense, com ar de riso.

No rol de aventuras do empresário, as mais marcantes para ele foram duas. A primeira foi a que ele, juntamente com os membros do VaiQuemQué, efetuou o percurso mais longo até hoje. “Foram 57 quilômetros na chamada trilha da Abelha, que vai até Agudos e retorna a Bauru. Apesar de estar bem preparado, foi o dia que mais cansei”, diz Paciello.

Outra que não sai da memória do bauruense é aquela que ele considera como a mais bonita, realizada em uma reserva de uma empresa. â€œÉ um local onde só há espécies de pinus com uma subida de cerca de quatro quilômetros. Nela, se subirmos sem conversar, é possível escutar até o barulho das folhas. Por isso, recomendaria tal experiência até para meu maior inimigo”, conclui ele.

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Perfil

Nome João Aldo Paciello

Idade 61 anos

Profissão Empresário

Hobby

“Além das bikes, sou apaixonado por automóveis importados.”

Lugar para passear

“A trilha do bezerro, uma vicinal paralela à rodovia Bauru-Jaú.”

Time do coração Palmeiras

Para quem você nunca daria carona na sua bicicleta?

“Para nenhum vereador de Bauru. Até gosto de um deles como amigo e futuro cliente, mas como vereador nenhum deles presta.”

E quem você levaria?

“Quem eu gostasse carregaria até uma carreta.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“Você já pegou um motorista na esquerda, com os braços para fora sem a mínima pressa, andando a 20 km/h? Esses condutores que, por pura falta de consciência, insistem em rodar lentos na faixa destinada às ultrapassagens conseguem me deixar estressado. Além disso, também me irrita aqueles que estacionam em frente às guias rebaixadas.”

Que nota você daria para os motoristas bauruenses?

“Em relação a esses dois últimos aspectos, dou zero. E com louvor.”

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