Para atender a demanda de pedidos e fazer uma manutenção eficaz da cidade, a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) precisaria contar com 350% a mais de funcionários do setor braçal. A informação é do titular da pasta, Arlindo Marques Figueiredo, que afirma não ter condições de realizar contratações agora. “Nós estamos limitados pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que determina o tamanho da folha de pagamentoâ€, diz.
De acordo com ele, a prefeitura está estudando uma alternativa para tentar solucionar o déficit de servidores nessa área. “Se até 2003 não conseguirmos contratar funcionários, vamos ter que utilizar empreiteirasâ€, salienta.
A Sear mantém oito administrações regionais, espalhadas pelos bairros da cidade. Cada uma delas tem uma média de 12 funcionários para serviços gerais. Segundo Figueiredo, esse número deveria ser de 40 ou até 50. “Teve uma época que só a Administração Regional da Bela Vista tinha 150 funcionários. Houve um enxugamento muito grande, mas acabamos ficando com poucos trabalhadoresâ€, salienta.
Ele não soube dizer o que ocorreu para que esse quadro ficasse tão reduzido. “Quando eu assumi o cargo, o número já estava pequeno. Não sei dizer o que fizeram com esses funcionáriosâ€, ressalta.
Outro problema enfrentado pela Sear é a falta de máquinas e veículos para realizar as atividades diárias da secretaria. Figueiredo acredita que o ideal seria poder contar com um exemplar de cada equipamento em cada uma das regionais. No entanto, só para se ter uma idéia, existe apenas três motoniveladoras - sendo que duas estão quebradas - para dar conta de todo o serviço. “Essas máquinas são muito caras e a prefeitura não tem condições de adquirir outros exemplaresâ€, destaca.
Há cerca de 90 dias, a administração municipal comprou duas pás carregadeiras, no valor de R$ 150 mil cada, além de duas roçadeiras. “Foi um grande investimento que não dá para ser feito a toda horaâ€, avalia Figueiredo.
Confusão
Teoricamente, as administrações regionais são os “braços†da prefeitura que se estendem até a população. A instalação desses órgãos em vários bairros da cidade deveria aproximar o cidadão do poder público, facilitando o contato e agilizando o processo de atendimento às reivindicações dos moradores.
No entanto, o que ocorre não é bem isso. A população pouco sabe sobre a atuação das regionais na cidade e dificilmente recorre a essas unidades para cobrar melhorias para o município.
A reportagem do JC nos Bairros constatou essa realidade conversando com a população nas ruas. A maioria das pessoas entrevistadas não soube definir qual o papel das administrações regionais e confundiu com outros órgãos públicos, como Câmara Municipal e a própria Prefeitura Municipal. “Uma vez eu procurei a administração regional para solicitar asfalto. Falei com um vereador, mas não fui muito bem atendidaâ€, disse uma das entrevistadas, confundindo com a Câmara Municipal.
Quem tem mais contato com as unidades da Sear nos bairros são as associações de moradores. Através dessas entidades, são feitos pedidos de limpeza nas ruas e praças, operação tapa-buracos, reparos em pequenos em órgãos municipais (como escolas e creches), etc.
Os presidentes dessas entidades cobram um atendimento mais eficiente no que diz respeito às solicitações mas, na maioria dos casos, entendem que isso não ocorre por falta de estrutura física e funcional. “Na medida do possível, nós somos atendidosâ€, diz Maria José Oliveira Campos, presidente da Associação de Moradores do Parque Vista Alegre.
Já Mercês Acolina Deladonio Fernandes, da Associação de Moradores do Jardim Eldorado, destaca que geralmente quando solicita algo, as máquinas estão quebradas. “Eles sempre dizem que não tem equipamento e nem funcionários suficientes para atender os nosso pedidosâ€, frisa.
De acordo com Arlindo Marques Figueiredo, titular da Sear, uma das principais atividades da secretaria é operação tapa-buracos. Em um mapa que ele criou para controlar as equipes de trabalho da secretaria, o item que mais aparece é justamente o de reparos nos asfalto e nas ruas de terra. “Como o nosso solo é arenoso, temos um grande trabalho nesse sentidoâ€, salienta.