As manifestações que se tem visto a respeito do aumento da tarifa de ônibus - por parte dos usuários do transporte coletivo - são legítimas e coerentes.
A partir do que se está vendo em Bauru não é prudente transformar a discussão - aumento de tarifa, transporte coletivo - em um debate eminentemente técnico. Repito, não é prudente. A discussão também tem que se dar no âmbito político, procurando engajar boa parcela da sociedade, o poder público, o conselho dos usuários, enfim, é preciso ouvir as diversas vozes da cidade. A questão é séria demais. O preço que a sociedade paga é alto demais para deixarmos que os técnicos resolvam. Aliás, no Brasil, as urnas deram uma demonstração clara no sentido de mudar o comando das decisões do espectro técnico para um outro, mais abrangente, mais social, mais preocupado com a realidade prática, aquela que atinge os trabalhadores.
É muito perigoso dizer que a decisão do prefeito - porque a decisão de aumento da tarifa é do prefeito - se fez necessária por questões técnicas. Sabemos que um aumento da tarifa, na conjuntura brasileira, era inevitável. Porém, o que não se justifica é a falta de discussão a respeito do assunto. Principalmente porque o próprio Conselho dos Usuários do Transporte Coletivo não teve tempo para realizar um debate mais profundo, mais detalhado, mais político. Não se pode aqui querer justificar a posição deste ou daquele, mesmo porque em uma democracia a maioria se faz ouvir, e a decisão da maioria dos membros do Conselho foi a de opinar em favor do aumento da tarifa. Acontece que essa não foi uma decisão unânime, e isso precisa ser dito, até porque tem que se fazer justiça com aqueles membros do Conselho que não apoiaram e não apóiam o aumento da tarifa da forma como ela aconteceu.
O que nos resta é estar vigilantes, atentos, alertas. A discussão sobre a integração do sistema é um assunto que deve ser colocado na pauta do dia, em caráter de urgência, para que o processo se dê o mais rápido possível - e aqui eu concordo com o chefe de Gabinete, sr. Antonio Sérgio Marsola - com muita responsabilidade, obrigação do agente público, e sem atropelar nada e ninguém. A discussão não pode ficar estreita aos limites técnicos e sim ganhar um caráter social, democrático, político. (Marcelo Malacrida - RG 18.218.390-7)