Saúde

Ciência desconhece causa da disfunção

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Segundo os especialistas, a Ciência ainda não consegue explicar porque em algumas pessoas a transpiração torna-se excessiva. A observação indica que pode haver uma tendência hereditária, pois é comum o problema existir em vários membros de uma mesma família. Porém, isso ainda não está comprovado. Só se sabe como o mecanismo funciona.

O corpo humano tem dois tipos de sistema nervoso: o somático e o autônomo. O somático é aquele que nos permite controlar os músculos, mudar a posição do corpo, sentir as sensações de calor, dor, entre outras. Ele é voluntário.

Já o sistema nervoso autônomo é involuntário, ou seja, ele regula automaticamente algumas funções do organismo, como respiração, batimentos cardíacos e a produção de suor.

A transpiração é um mecanismo que o corpo tem para manter sua temperatura interna equilibrada em aproximadamente 36,5 graus. É um processo semelhante ao sistema de arrefecimento dos carros, em que a água circula para impedir o superaquecimento do motor. Sem o suor, o organismo sofreria as mesmas variações de frio e calor do ambiente externo, podendo sofrer uma “pane”.

De acordo com o cirurgião torácico Sebastião Benetti, a transpiração é controlada por um dos “departamentos” do sistema nervoso autônomo chamado cadeia simpática. â€œÉ o ‘departamento’ que é solicitado quando você está sob situação de estresse. Você toma um susto e reage - aumenta os batimentos cardíacos, acelera a respiração, dilata as pupilas e tem a sudorese”, explica.

Na hiperidrose, existe um estímulo distorcido e exagerado de alguns gânglios desta cadeia simpática que controlam as glândulas sudoríparas. Isso faz a pessoa suar descontroladamente, faça calor ou frio.

Na maior parte das vezes, o processo é desencadeado por um fator estressante - seja por ansiedade, insegurança ou medo. O problema é que a própria hiperidrose torna-se uma fonte de estresse. Então, a pessoa já sai de casa pensando que pode suar a qualquer momento e essa sensação desencadeia a transpiração, gerando um ciclo vicioso. Ela sua por medo de suar.

Suor localizado

Nas pessoas com hiperidrose, o suor centraliza-se em algumas regiões específicas do corpo. Ele pode ser palmar (nas mãos), axilar (nas axilas), plantar (nos pés) ou craniofacial (couro cabeludo e rosto). Em todos os casos, o suor é tanto que escorre pelo resto do corpo.

De acordo com o médico Marlos Coelho (www.marlos coelho.com.br/hiperidrose. htm) das 230 cirurgias realizadas pela clínica, 83,02% dos pacientes apresentavam hiperidrose palmar, 77,89% apresentavam hiperidrose plantar, 77,06% tinham transpiração excessiva nas axilas, e 11,92% sofriam com a sudorese facial.

O distúrbio pode aparecer isolado ou manifestar-se simultaneamente em vários pontos do corpo. No grupo avaliado por Marlos Coelho, esta porcentagem ficou assim: axilar, palmar e plantar (44,95%), palmar e plantar (23,39%), axilar (13,30%), axilar, plantar, facial, palmar (9,17%), axilar e palmar (4,12%), axilar e plantar (1,37%), axilar e facial (1,37%), facial (1,37%), palmar (0,91%).

A sudorese exacerbada nas mãos é considerada a mais constrangedora delas, pois o paciente molha tudo em que toca. Ele sua de pingar e, por isso, sente-se constrangido num aperto de mão, tem dificuldades para escrever e desenhar, para dirigir, para tocar instrumentos musicais, para manejar ferramentas de trabalho, para tocar outra pessoa e assim por diante.

As axilas aparecem em segundo lugar, pois o suor escorre pelo corpo e deixa a roupa muito molhada. As manchas de suor conferem um aspecto de falta de higiene ao indivíduo. Para disfarçar, ele acaba restringindo seu guarda-roupas às cores branca e preta.

“Eu tive uma paciente que saiu do hospital, depois da cirurgia, dizendo que ia dali para uma loja. Enquanto ela falava que iria comprar blusas verdes, vermelhas, azuis, seus olhinhos até pulavam de tão feliz. Quando eu questionei, ela explicou que nunca pôde usar roupas coloridas, porque elas manchavam”, comenta Benetti.

As hiperidroses facial e plantar são mais incômodas para as mulheres, que ficam impedidas de usar maquiagens (porque borram) e sandálias (pois os pés escorregam no sapato).

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Mau cheiro

A hiperidrose torna-se ainda mais constrangedora quando vem acompanhada do mau cheiro (bromidrose). Além de regular a temperatura e contribuir para restabelecer o equilíbrio metabólico, o suor é um recurso natural do organismo para livrar-se de elementos indesejáveis, ou seja, ele é constituído de elementos presentes no sangue.

Suores fétidos das axilas, pés e cabeça indicam que pode haver toxinas na corrente sangüínea ou bactérias sobre a pele. No caso das bactérias, elas compõem a flora natural do ser humano e se alimentam das partículas eliminadas pela transpiração. Ao se alimentar, elas deixam resíduos que causam o mau cheiro. Isso pode ser combatido com os cuidados regulares de higiene e o uso de desodorantes bactericidas.

No caso das toxinas san-güíneas, elas podem ser resultado de medicamentos ou alimentação. O excesso de açúcares, gorduras e proteínas (carnes vermelhas e ovos principalmente) pode aumentar o odor do suor.

Produtos como a cebola, o alho e o gengibre são desintoxicantes e depurativos e fazem com que as impurezas sejam levadas às glândulas sudoríparas. O álcool também está incluído nesta lista, pois altera a temperatura do corpo e aumenta a transpiração.

A escolha das roupas também contribui para isso. Tecidos sintéticos como nylon, jersey ou lycra impedem a respiração adequada da pele e a evaporação do suor. O ideal é preferir as roupas de algodão, dica que vale também para meias e roupas íntimas.

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