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Caminhada para o centro


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Uma possível disputa entre os senadores José Sarney e Marco Maciel para a presidência do Senado, não é o prenúncio de tempos modernos no parlamento brasileiro. O que se vai fazer? As mudanças políticas quando acontecem sem violências, sem rupturas da ordem estabelecida, são lentas mesmo. E não é do dia para a noite que vai se imaginar um quadro partidário renovado só porque um candidato da oposição ganhou a Presidência da República.

Mas, de qualquer forma o jogo parlamentar já está começando a ser mostrado. E o PT, como deveria ser, saiu primeiro propondo casamento ao PMDB. Um casamento moderno, é preciso deixar claro, onde os dois não têm tantos compromissos e podem se movimentar com independência. Mas que pelo menos envolve a duas presidências da Casas Legislativas. Para o PMDB fica o Senado e para o PT a Câmara dos Deputados.

A reação foi automática e os tucanos do PSDB procuraram o PFL para ficarem juntos. É preciso fazer o contraponto. As forças precisam se ajustar. Agora, PT com PMDB e PSDB com PFL não tem nada de novo.

O interessante é que nesse quadro não existe uma oposição à esquerda. Na eleição todos os candidatos faziam questão de divulgar programas de esquerda. E todos eram de oposição. Agora não existe mais oposição definida, principalmente à esquerda. E se não tem, é preciso arranjar. O sistema não é bipartidário e nós não somos nenhuma democracia parlamentarista européia. Se fala muito que a oposição do PT está no próprio PT. Os radicais, ala esquerda que compreenderia cerca de 30% do partido, ficariam encarregados de atazanar a vida do governo do companheiro Lula.

Pode ser que isso aconteça. Mas uma oposição petista ao PT não significa também o alvorecer de novos tempos. O PT “gauchista” é formado por uma linha dura que vem da formação mais tradicional da esquerda com tendências leninistas e até stalinistas que rejeitam a sociedade capitalista e pregam o fim do Estado aliado ao grande capital e aos interesses das elites formadas pelos especuladores e usurpadores da riqueza da sociedade. O PSTU e o PCO mostraram também que são do velho time.

A revitalização da maneira de governar pede também um partido moderno de esquerda que esteja mais de acordo com as demandas sociais da atualidade.

Um partido moderno de esquerda pode estar num horizonte mais longínquo do que a oposição pela direita que deverá ser efetivada pelo tucanos do PSDB. Os tucanos, agora, precisam ser encarados como alternativa de poder. Por isso não podem partir para uma oposição desarticulada ou furiosa. E não é à toa que Fernando Henrique está dando sinais que não encerrou sua vida política, além de existir já três candidatos para serem líderes tucanos em estado de oposição: os governadores Aécio Neves e Geraldo Alckmin e o candidato derrotado José Serra.

Eles sabem que se os petistas não se adaptarem bem nas instalações do Palácio do Planalto, em 2006 vão receber um aviso do eleitorado para abandonar aquelas dependências tão imponentes, da praça dos Três Poderes. Aí uma vitória pode estar no bico. (O autor, Fernando José Dias da Silva, é articulista da Agência Estado)

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