O húmus da arte é a sensibilidade. Os artistas sempre foram admirados como visionários do universo da “creação†e temidos pelo compromisso com a verdade.
O professor Hélcio Pupo Ribeiro sentiu brotar em si o forte desejo de planar pelos segmentos das artes. Foi um pesquisador incansável, incorporando em si uma floresta de conhecimentos e tornou-se, inclusive, membro da Associação Artística de Críticos de Arte.
Foi um homem de ação, fundando em 1943 o Clube Amigos da Boa Música, cujo lema é “Distrair e Divulgar Instruindoâ€, entidade reconhecida como de utilidade pública pela Lei Municipal n 1.701/72. Essa é uma que deve continuar, porque vale a pena, pois a alma não é pequena (com a devida vênia de Fernando Pessoa).
O professor lecionou História da Arte por quase vinte anos na então Fundação Educacional de Bauru. Lançou sementes de conhecimento através de inúmeros cursos, tais como: Estética e História da Arte; História da Arte Ocidental; História da Arte e Expressão Musical, etc. Garimpando por viagens culturais pelo Brasil e Europa, organizou um acervo de quase 12.000 slides, pinceladas que davam cor às suas aulas. Em 1970, foi aprovado como regente de “História da Arte e Técnicasâ€, foi agraciado com os prêmios de “Melhor do Ano no Setor Cultural†pelo Orbis Clube de Bauru.
Em 1980, homenageado pela egrêcia Câmara Municipal de Bauru, com o título de “Cidadão Beneméritoâ€, pelos revelantes serviços prestados à cultura da cidade e região. Foi eleito Membro Honorário da Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil em 1983.
Em Barcelona (Espanha) concluiu o “Curso de Cultura Integral Catalãâ€, fundamentado no movimento modernista espanhol, isso em 1987. Participou da fundação da Academia Bauruense de Letras em 7 de julho de 1993, ocupando a cadeira 11, tendo como patrono o poeta Rubens Pupo. Presidiu a entidade em 1996 em curta gestão, face seu estado de saúde.
O Colegiado da Academia já aprovou com louvor seu nome como patrono da cadeira 31, a ser ocupada oportunamente.
Como seu 1º Secretário na A.B.L., acompanhei o Prof. Hélcio por diversas empresas, obtendo apoio financeiro das mesmas, o que possibilitou dar vida ao informativo acadêmico “O Desafioâ€. O professor era recebido com a máxima cordialidade. Pude sentir o enorme prestígio que o confrade e amigo gozava junto à sociedade bauruense - colhe-se, pois, o que se planta.
As referências citadas são algumas gotas do muito que se poderia dizer sobre o professor. Consta do arquivo acadêmico três obras publicadas pelo professor, a saber;
1966 - “História da Música†(opúsculo), Editora Tilibra, Bauru;
1972 - “Encontro com o Barroco Mineiro - O Aleijadinhoâ€, Editora Tilibra;
1985 - “Artes Industriaisâ€, Editora Jalovi.
Publicou centenas de artigos no Diário de Bauru, Jornal da Cidade e em O Estado de São Paulo, assim como em muitas revistas. Espargiu cultura através de centenas de cursos e introduziu inúmeros bauruenses na paixão pelos acordes da música erudita.
Concluindo esta síntese, quero externas minhas considerações à professora Irma Maria do Rosário, viúva do professor Hélcio Pupo Ribeiro, mulher de muita sensibilidade e cultura. (O autor é membro da Academia Bauruense de Letras)