Polícia

Crimes mantêm tendência, diz PM

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Os homicídios e os roubos ocorridos em Bauru nos últimos dois finais de semana levou a Polícia Militar (PM) a reforçar o policiamento nesse período, colocando em prática a chamada Operação de Intensificação de Abordagem.

Apesar de quatro pessoas terem sido mortas em apenas um final de semana, no início do mês, a previsão da PM não é de aumento dos homicídios em 2002, comparando-se a 2001.

“O que temos observado são picos de homicídios, o que é uma situação atípica. Porém, com base nos números do ano passado, vemos que não há tendência de aumento”, afirma o comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior-4 (CPI-4), tenente-coronel José Alexandre Borin, com base em dados estatísticos.

A Operação de Intensificação de Abordagem, de acordo com ele, visa concentrar policiais em dias e horários de maior incidência de homicídios, roubos e outros crimes, numa ação preventiva. “Estamos reforçando o efetivo em locais e horários onde verificamos maior incidência de crimes”, explica.

Com a operação em prática, o número de policiais nas ruas vai aumentar em até 30%, de acordo com o tenente-coronel Alexandre. Por turno, em média, Bauru conta com cerca de 100 policiais. “Vamos suspender folgas do efetivo do Tático e do policiamento ostensivo. Como o próprio nome da operação diz, vai aumentar o número de pessoas abordadas, num trabalho de prevenção”, frisa.

Em 2001, a PM registrou 40 homicídios na cidade e neste ano, até outubro, 39. Como neste mês já foram registrados cinco homicídios, a somatória do ano sobe para 44. Mesmo assim, explica o tenente-coronel, no contexto estadual Bauru ainda é uma das cidades com menos homicídios entre as que têm mais de 300 mil habitantes.

“Somos a terceira cidade do Estado com menor índice de incidência de homicídios por 100 mil habitantes. Entre as cidades com mais de 300 mil habitantes, Bauru é a terceira melhor colocada”, ressalta o tenente-coronel.

A incidência de homicídios em Bauru é de 12,4 por 100 mil habitantes, de acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária. “Esses picos de homicídios são momentâneos e atípicos. Estatisticamente falando, fazem parte de um desvio padrão permitido”, diz.

O tenente-coronel Alexandre reconhece que o mês começou com um número alto de mortes, mas chama a atenção para a necessidade de analisar um período maior. “Se compararmos o número de homicídios deste mês com o registrado em novembro do ano passado, houve aumento. Mas se continuar conforme a projeção, 2002 vai fechar com número de homicídios que não difere muito dos anos anteriores”, frisa.

O mesmo ocorre, de acordo com a PM, com os roubos, roubos de veículos e furto de veículos. “Tivemos alguns meses com mais ocorrências que 2001, mas também tivemos quedas acentuadas. A projeção para este ano, com base nos dados estatísticos, não é de aumento”, afirma.

Já para os furtos, a previsão é de queda, diz o comandante do 4.º Batalhão. “Temos verificado uma queda sensível no número de furtos neste ano, comparando com 2001, num índice que já reflete na projeção para o ano todo, que é de queda”, afirma.

Para o tenente-coronel, ao analisar o número de furtos registrados em Bauru é preciso considerar o impacto da descentralização da PM. Para ele, o fato da cidade contar com seis bases comunitárias - Leste, Sul, Sudeste, Oeste, Noroeste e Centro - facilita o registro das ocorrências, inclusive de delitos de menor poder ofensivo, como os furtos.

“As bases comunitárias aproximam a Polícia Militar da comunidade. Com isso, aumenta a confiança mútua e até os pequenos delitos passam a ser registrados”, completa.

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