Tenho lido críticas nesta democrática coluna sobre a venda da Estação Ferroviária de nossa cidade. O que me causa estranheza é que os que criticam a venda permaneceram calados por ocasião da privatização das ferrovias e qualquer pessoa de mediana inteligência sabe que a privatização foi o fim de um processo de sucateamento que se arrastava de há muito tempo. Percebe-se claramente que as críticas têm endereço certo e definido, buscando torpedear a entidade sindical dos ferroviários e seus dirigentes.
Este procedimento é antigo. Para esconder os erros de aliados, tenta-se denegrir os adversários, e assim age o neodefensor das ferrovias e das coisas públicas. Interessante seria reabrir o debate sobre a nefasta privatização das ferrovias e buscar descobrir quais interesses foram atendidos com o seu fim.
Não é verdade?
Pelo que li na imprensa, o grupo Marca que adquiriu a estação vai conservar a estrutura do prédio e seu estilo arquitetônico, o que sem sombra de dúvidas colaborará em muito para a revitalização do centro comercial de nossa cidade, além de gerar empregos e aumentar a arrecadação de impostos para nossa cidade. Tal fato é altamente positivo. Ou não?
Com relação a militância política, muitos continuam a apostar na falta de memória de nosso povo. Dizem até que estiveram detidos em organismos policiais da ditadura militar anos antes de sua implantação, apresentando estes argumentos para demonstrarem que “lutaram†contra a ditadura militar. Ora, pela trajetória política destes neodemocratas poderíamos até a arriscar dizer que se estiveram na Oban em 68 ou 69, foi para ajudar a montar os instrumentos de tortura ali utilizados a partir de 1970.
Aguardemos as obras da reforma da estação com a esperança que voltem a circular a Coreinha e a Borboleta. (Antonio Pedroso Júnior)