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Projeto prevê escovação obrigatória

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A escovação dentária supervisionada nas escolas públicas e privadas de Bauru pode tornar-se obrigatória. A medida é prevista num projeto de lei do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB).

Se aprovado o projeto, alunos de ensino infantil e fundamental - que têm, em média, até 14 anos - deverão escovar os dentes diariamente nas escolas, após o intervalo para lanche ou merenda, com creme dental fluoretado e supervisão de profissional da saúde.

A escovação teria caráter preventivo e educativo. O projeto visa estimular nas crianças o hábito da escovação e os cuidados com a higiene bucal, de forma a diminuir os índices de tratamento de doenças do gênero.

O vereador argumenta que a prevenção vem ganhando espaço na área de saúde já que é mais barata e fácil em relação a tratamentos curativos.

“A infância é o período da construção de hábitos e valores, daí esse tipo de trabalho ser feito preferencialmente nessa faixa etária”, expõe Agostinho.

Ele afirma que a escovação é incentivada em algumas escolas, mas em muitas delas os alunos não fazem diariamente a higienização bucal após a merenda.

Para viabilizar o projeto, o vereador acredita que seria necessário ampliar parcerias com o objetivo de capacitar professores para supervisionar a escovação das crianças.

Prática

Na escola estadual Joaquim de Michielli, que fica no Jardim Cruzeiro do Sul, a escovação dentária é incentivada através de programa preventivo, mas os estudantes não a praticam diariamente na instituição.

De acordo com a diretora Eloísa Toledo Martins, uma auxiliar de dentista acompanha diariamente uma turma de alunos para fluoração e escovação. “Cada dia é uma classe, após o intervalo”, diz.

Na escola de educação infantil Curumim, semanalmente uma dentista acompanha a escovação de cada aluno e desenvolve outros trabalhos educativos. Além disso, diariamente os próprios professores acompanham a escovação dentária dos estudantes após a merenda.

“Se a criança tiver boa formação, dificilmente vai ter cárie”, diz a diretora Márcia Regina Manechini Gonzales. Na escola Recriando, as crianças também seguem o exemplo da escovação diária, orientadas por professores.

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Recursos

Apesar da intenção do projeto do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) ser considerada importante, ela gera questionamentos referentes a recursos para que a prática da escovação diária supervisionada seja viável.

O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, afirma que será necessário não apenas escovas e cremes dentais, mas também profissionais para a supervisão.

“Toda vez que algo torna-se obrigatório, tem que haver material. Se o projeto passar, o material terá que ser fornecido gratuitamente”, diz.

Ele afirma que poucas escolas estaduais a escovação diária é praticada - apenas aquelas que dispõem de dentista e auxiliar de dentista.

A coordenadora de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Sueli Yanase, também mostra-se preocupada com o custo de escova e creme dental.

“O projeto é válido, mas se aprovado, quem vai assumir? Criar o hábito da escovação é ótimo”, observa.

A Secretaria de Saúde desde 1999 desenvolve em Bauru o programa “Sorria, Bauru”., cujo objetivo é prevenir e educar para a saúde bucal.

Participam dele 35 escolas municipais de educação infantil (totalizando cerca de 10 mil crianças), além de quatro escolas municipais de ensino fundamental.

Através do “Sorria, Bauru”, profissionais da área da saúde orientam alunos e professores sobre higiene bucal e promovem a escovação nas escolas.

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