A escovação dentária supervisionada nas escolas públicas e privadas de Bauru pode tornar-se obrigatória. A medida é prevista num projeto de lei do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB).
Se aprovado o projeto, alunos de ensino infantil e fundamental - que têm, em média, até 14 anos - deverão escovar os dentes diariamente nas escolas, após o intervalo para lanche ou merenda, com creme dental fluoretado e supervisão de profissional da saúde.
A escovação teria caráter preventivo e educativo. O projeto visa estimular nas crianças o hábito da escovação e os cuidados com a higiene bucal, de forma a diminuir os índices de tratamento de doenças do gênero.
O vereador argumenta que a prevenção vem ganhando espaço na área de saúde já que é mais barata e fácil em relação a tratamentos curativos.
“A infância é o período da construção de hábitos e valores, daí esse tipo de trabalho ser feito preferencialmente nessa faixa etáriaâ€, expõe Agostinho.
Ele afirma que a escovação é incentivada em algumas escolas, mas em muitas delas os alunos não fazem diariamente a higienização bucal após a merenda.
Para viabilizar o projeto, o vereador acredita que seria necessário ampliar parcerias com o objetivo de capacitar professores para supervisionar a escovação das crianças.
Prática
Na escola estadual Joaquim de Michielli, que fica no Jardim Cruzeiro do Sul, a escovação dentária é incentivada através de programa preventivo, mas os estudantes não a praticam diariamente na instituição.
De acordo com a diretora Eloísa Toledo Martins, uma auxiliar de dentista acompanha diariamente uma turma de alunos para fluoração e escovação. “Cada dia é uma classe, após o intervaloâ€, diz.
Na escola de educação infantil Curumim, semanalmente uma dentista acompanha a escovação de cada aluno e desenvolve outros trabalhos educativos. Além disso, diariamente os próprios professores acompanham a escovação dentária dos estudantes após a merenda.
“Se a criança tiver boa formação, dificilmente vai ter cárieâ€, diz a diretora Márcia Regina Manechini Gonzales. Na escola Recriando, as crianças também seguem o exemplo da escovação diária, orientadas por professores.
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Recursos
Apesar da intenção do projeto do vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) ser considerada importante, ela gera questionamentos referentes a recursos para que a prática da escovação diária supervisionada seja viável.
O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, afirma que será necessário não apenas escovas e cremes dentais, mas também profissionais para a supervisão.
“Toda vez que algo torna-se obrigatório, tem que haver material. Se o projeto passar, o material terá que ser fornecido gratuitamenteâ€, diz.
Ele afirma que poucas escolas estaduais a escovação diária é praticada - apenas aquelas que dispõem de dentista e auxiliar de dentista.
A coordenadora de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Sueli Yanase, também mostra-se preocupada com o custo de escova e creme dental.
“O projeto é válido, mas se aprovado, quem vai assumir? Criar o hábito da escovação é ótimoâ€, observa.
A Secretaria de Saúde desde 1999 desenvolve em Bauru o programa “Sorria, Bauruâ€., cujo objetivo é prevenir e educar para a saúde bucal.
Participam dele 35 escolas municipais de educação infantil (totalizando cerca de 10 mil crianças), além de quatro escolas municipais de ensino fundamental.
Através do “Sorria, Bauruâ€, profissionais da área da saúde orientam alunos e professores sobre higiene bucal e promovem a escovação nas escolas.