Todo final de grande campeonato é a mesma coisa no Brasil. Tal qual na vida real, os poderosos sempre levam vantagem e usam o maldito jeitinho brasileiro para burlar às leis e os regulamentos preestabelecidos.
No caso específico do futebol, os poderosos são os chamados grandes clubes, que apesar da denominação de grandes, se apequenam quando tentam virar a mesa e subjugar aquilo que foi estabelecido por eles próprios quando do início da competição. Sem perceber se tornam pequenos e mesquinhos, e jogam fora a grande oportunidade de serem efetivamente grandes na acepção da palavra. Acompanho futebol há aproximadamente 35 anos e nunca vi tanta corrupção, tantos desmandos, tanto desrespeito para com o público e para com o próprio esporte que é uma das grandes paixões do povo brasileiro.
O futebol é um segmento que faz parte de uma sociedade falida, e que procura na corrupção o seu grande aliado para desviar recursos, rasgar contratos assinados, não cumprir acordos e principalmente usá-lo como trampolim para incursões na vida pública. Onde se consegue a tão sonhada imunidade parlamentar para acobertar todas as fraudes e desvios de comportamento anteriores.
Nesse momento enquanto alguns torcedores sofrem com o rebaixamento correto de seus clubes a segunda divisão do futebol brasileiro, alguns dirigentes inescrupulosos já estão tramando no Rio de Janeiro uma maneira de burlar o regulamento com a alteração da composição do próximo campeonato, ou uma mudança qualquer que venha a beneficiar os legítimos perdedores. Enquanto nosso povo aturar calado a esse tipo de comportamento nocivo, não poderemos ter esperança num país decente e que almeja um futuro promissor para seus filhos.
O governo FHC priorizou nos últimos oito anos os banqueiros, os usineiros, os especuladores, os investidores do mercado de capitais. É chegada a hora do novo Presidente Lula virar a mesa e priorizar a educação, a ética, os regulamentos, e fazer com que o povo seja beneficiado diretamente com o cumprimento das regras estabelecidas.É preciso mudar a máxima do jeitinho brasileiro, de se querer levar vantagem em tudo, e passarmos para uma nova era, em que possamos vencer em tudo, competindo com dignidade e coragem para alcançarmos sempre os melhores resultados dentro e fora do campo de jogo. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)