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Vereadores preferem lombada a radar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Os vereadores que integram a Comissão de Obras Públicas, Serviços e Transporte da Câmara Municipal de Bauru defendem a instalação da lombada eletrônica no lugar dos radares. Para Luiz Carlos Valle (PSB), José Humberto Santana (PV) e Osvaldo Paquito (PPS), o equipamento tem um caráter mais educativo, portanto deveria estar em maior número nas ruas.

As lombadas eletrônicas dispõem de lâmpadas de advertência e um display que mostra a velocidade do veículo no momento da travessia na via pública. Por essa razão, são facilmente identificadas pelos motoristas e geram apenas 11% do total de infrações de trânsito por excesso de velocidade no município.

Em contrapartida, de acordo com matéria publicada ontem pelo JC, os radares eletrônicos são os algozes dos condutores. Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o radar fixo responde, em média, por 89% do total de multas desta natureza.

“Se a intenção da prefeitura fosse a de promover a educação no trânsito, eu seria favorável à instalação de lombadas eletrônicas. Contudo, o objetivo é o de levantar receita. Tenho certeza de que existe em Bauru uma indústria de multas”, dispara o presidente da comissão, Luiz Carlos Valle.

Humberto Santana, também integrante da comissão, concorda com ele. “O sistema de radares como funciona hoje é um caça-níquel. Prefiro uma alternativa que priorize a educação. Para mim, o cidadão que desrespeitasse uma vez o limite de velocidade deveria receber em casa uma notificação de alerta. Na segunda vez, uma advertência. A multa deveria ser aplicada apenas na terceira infração”, defende.

Na opinião dele, desta maneira, seria possível evidenciar a preocupação com o aspecto educativo e não com o de cobrança. Porém, Santana ressalta a importância do controle. “Muitas vezes, o motorista só aprende a respeitar a velocidade quando o problema mexe no bolso”, conclui.

Já se dependesse da vontade de Paquito, a cidade somente contaria com lombadas eletrônicas, que, para ele, disciplinam o trânsito com mais justiça.

Consenso

Também defendem as lombadas eletrônicas os dez motoristas ouvidos ontem pelo JC, no cruzamento das avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves.

Para Emídio Luiz França, as lombadas chamam mais a atenção do condutor, que muitas vezes deixa de notar as placas sinalizadoras de radar, especialmente aqueles de cidades vizinhas. “Não sou favorável à nenhuma fiscalização eletrônica, mas se ela for necessária, dou preferência às lombadas, que têm um caráter mais educativo”, ressalta Israel Maia.

José Vicente da Silva também pretere os radares porque eles não indicam a velocidade, que seria uma prova material da infração. “Considero a fiscalização eletrônica importante porque tem gente que não respeita os limites de velocidade. Passam a lombada e voltam a acelerar”, justifica Geralda Ferreira.

Na opinião de Josias de Souza Rios, a instalação de lombadas poderia evitar o excesso na emissão de multas. “Através delas, monitoramos nossa velocidade e nos tornamos mais atentos ao trânsito”, concorda Claudenilson Santos.

O controle da velocidade é importante para a educação do condutor, mas o que observamos é a exploração, comenta José Carlos Orestes. “Deus me livre dos radares, conheço gente que foi multada e não sabe a razão”, ressalta Letícia de Oliveira.

Já Paulo César de Oliveira, multado três vezes nos últimos dois meses, considera exagero o controle de velocidade na avenida Nações Unidas. Para ele, deve existir fiscalização, mas não de maneira extremada. Concorda com ele, Maria Aparecida da Silva, que se sente mais confiante no trânsito devido às lombadas.

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