Economia & Negócios

Comércio tenta baixar dólar para Natal

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O dólar comercial fechou o dia ontem cotado a R$ 3,52 e manteve a estabilidade ao longo da semana, mas a moeda americana está sendo negociada a valores mais baixos pelos comerciantes que trabalham com importados. Desse modo, a “explosão” do dólar ocorrida nos últimos dois meses não pesa tanto no bolso do consumidor e dá novo fôlego ao comércio a um mês do Natal.

“A maioria das importadoras está fazendo boas negociações e grandes promoções porque estão com estoque”, declara a comerciante Cleusa Witzler, proprietária de uma loja de perfumes importados. Segundo ela, o dólar está sendo negociado na casa dos R$ 3,00, chegando no máximo a R$ 3,30.

Cleusa afirma que seus produtos sofreram reajuste entre 20% e 30%, mas até este mês as vendas continuam em níveis normais. “O cliente não havia sentido quase nada, eram diferenças de R$ 10,00, R$ 15,00”, diz.

Para dezembro, a expectativa da comerciante é de elevação nas vendas em até 20% a mais do que no ano passado, pois os pequenos comerciantes geralmente não têm “poder de fogo” para negociar com as importadoras e são os maiores prejudicados com o dólar alto. “Na área de perfumaria, as lojas menores não compram com medo de não vender, então, há falta de mercadoria”, explica Cleusa.

De acordo com a comerciante, os dois perfumes campeões de venda - ambos femininos - custam R$ 85,00 e R$ 122,00, preços que Cleusa considera bastante acessíveis. Além deles, outro perfume muito procurado custa cerca de R$ 230,00 e tem público cativo. “Chega próximo ao Natal, a mulher já pede ao marido: ‘eu quero aquele perfume’”, relata.

De acordo com a gerente Tatiana Bertolani Travain, de duas lojas da área de vestuário e acessórios, suas mercadorias importadas estarão no mercado com o dólar a R$ 3,00, pois as compras foram efetuadas há três meses. Além disso, a negociação com os importadores é a única maneira de “enxugar” o preço ao consumidor final.

“Como eles (os importadores) compram contêineres grandes, na medida do possível eles fazem um abatimento na cotação do dólar”, conta Tatiana. Ela também afirma que a loja está tendo de abrir mão de lucro para não perder vendas. “A gente está tentando trabalhar com marcas mais baratas e planos melhores: dividindo em quatro vezes no cheque ou cartão, dando desconto à vista. Tudo para atrair o cliente”, diz.

A gerente afirma, entretanto, que suas mercadorias principais aumentaram 8% - segundo ela, reflexo de reajustes no mercado como um todo. “Não necessariamente aumenta só a mercadoria importada. Uma linha nossa é feita no Brasil, mas o algodão é importado”, declara Tatiana.

Para o Natal deste ano, a gerente afirma que “sempre espera” de 10% a 15% de aumento nas vendas, mas se o resultado for igual ao do ano passado, já estará de bom tamanho.

“Eu espero vender o mesmo número de peças, porque em dinheiro já defasou”, diz Tatiana. E explica: “Se o cliente vinha aqui e comprava dez presentes, neste ano ele vai comprar cinco. O cliente virá, mas vai comprar menos.”

Risco

Mesmo sem conseguir muita flexibilidade por parte das importadoras, o comerciante Haroldo Alves Penteado, proprietário de duas lojas de produtos eletrônicos, resolveu investir no Natal para recuperar o ano. “Estou arriscando, porque no Natal as vendas sempre reagem. O Natal é a salvação de todos os empresários”, observa.

Segundo Penteado, seus produtos tiveram elevação média de 15% a 20% em relação ao Natal passado, pois ele contou com os estoques das importadoras. De acordo com ele, os fornecedores não reajustam as tabelas sempre que o dólar sobe - eles preferem aguardar as baixas da moeda americana para também não terem perdas. “Mas o preços que já subiram, agora não baixam”, ressalta.

Na opinião de Penteado, o Natal deste ano será considerado bom se as vendas, pelo menos, se igualarem às do ano passado. “Se vender a mesma coisa que em 2001 já está bom. Este ano é uma incógnita, a gente tem que dar tiros no escuro”, declara.

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