Pederneiras - A Polícia Militar deteve anteontem à noite, em Pederneiras, quatro pessoas acusadas de tráfico de drogas. Duas delas foram surpreendidas com crack em uma escola de ensino médio e levaram a mais uma prisão. Na rua, uma quarta pessoa foi detida com quase meio quilo de maconha. As prisões aconteceram em locais e situações diferentes, em curto espaço de tempo.
Segundo informações do delegado Márcio José Alves, tudo começou após um telefonema anônimo. A polícia, segundo ele, teria sido informada que uma pessoa estaria vendendo drogas próximo à escola estadual Anchieta.
Uma viatura foi até o local e abordou a garota T.T.R, 20 anos. Ela teve a bolsa revistada e dentro dela os policiais teriam encontrado, segundo informou o delegado, uma pedra de crack e um documento de identificação de uma outra pessoa.
Em seu depoimento, a garota teria dito ao policiais que a droga fora entregue pelo seu namorado e que o documento pertencia a um aluno da escola. O mesmo teria pedido para que ela guardasse o documento porque havia perdido a carteira.
Segundo Alves, foi dada voz de prisão à garota por porte de droga e, de posse do documento, os policiais foram até a escola Anchieta.
Lá, o aluno T.T., 18 anos, foi chamado pela direção da escola. Segundo o delegado, ele teria confessado que adquiriu uma pedra de crack de T.T.R., ao valor de R$ 10,00, e deixou o documento com ela como garantia de que iria pagar pela droga.
Ele entregou a pedra aos policiais e recebeu voz de prisão por porte de droga. Diante disso, ao chegar à viatura, onde estava T.T.R, foi dada voz de prisão à garota por tráfico de drogas e não mais por porte.
No caminho da delegacia, os policiais notaram que o rapaz estava um pouco agitado no banco de trás da viatura. Quando chegaram ao pátio da delegacia, eles revistaram o veículo e encontraram no assoalho sete papelotes de maconha.
De acordo com o delegado, a droga estava escondida na meia do suspeito. Novamente, os policiais alteraram a voz de prisão. De porte de droga, o acusado passou a responder por tráfico, a exemplo do que havia acontecido com a garota.
Durante o registro do flagrante, T.T.R teria dito que foi induzida pelo namorado a vender a droga. Coincidentemente, segundo o delegado, o namorado dela, M.R., 19 anos, foi até a delegacia para saber o que estava acontecendo com a garota.
Tomando como base a declaração de T.T.R, o namorado dela também acabou sendo detido sob acusação de tráfico de drogas. Os dois rapazes foram encaminhados à cadeia pública de Pederneiras e a garota foi levada para Cabrália Paulista, na cadeia feminina.
Meio quilo
Durante as diligências da primeira ocorrência, a polícia encontrou duas pessoas caminhando pela rua, cada uma com uma sacola plástica na mão.
Desconfiados, os policiais contornaram o trevo de acesso à cidade (sob a rodovia Bauru-Jaú) e abordaram a dupla.
Nesse momento, os policiais notaram que uma das sacolas que estava com os suspeitos havia sumido. Eles procuraram em volta e encontraram, a cerca de quatro metros da dupla, uma sacola plástica jogada no chão com 445 gramas de maconha. Na outra sacola, os policiais encontraram apenas peças de roupa.
E.C.T., 18 anos, principal suspeito de ser o proprietário da droga foi preso em flagrante por tráfico de drogas e encaminhado à cadeia pública de Pederneiras.
Seu companheiro, A.M.F., 18 anos, que estava com a sacola cheia de roupas, foi qualificado apenas como testemunha, sendo liberado em seguida. Segundo o delegado, ambos são de Jaú e alegaram que estavam em Pederneiras à procura de emprego.
O tráfico de drogas é um crime punido com penas que variam de três a seis 15 de prisão. Quando o comércio é feito próximo a escolas, o fato passa a representar um agravante, segundo o delegado.
Na opinião dele, a venda de drogas na cidade não é algo novo. Mas “de uns tempos para cá†tem aumentado muito. O que, segundo ele, tem exigido atenção redobrada dos policiais, tanto civis como militares, na tentativa de identificar os traficantes.
Auto-estima
De acordo com a diretoria da escola estadual Anchieta, essa foi a primeira vez que um aluno foi flagrado com droga no estabelecimento.
Mesmo assim, a “única coisa que a escola está fazendo e vai intensificar é o trabalho de auto-estima dos alunosâ€, informou a diretora substituta, que preferiu não se identificar. Segundo ela, a escola não pode ir além do trabalho educativo. A repressão, na opinião da diretora, é papel da polícia.