Saúde

Ervas podem ser bons substitutos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Para muitas pessoas, a receita da vovó continua sendo o melhor remédio. Os chás e compressas feitos a partir de plantas medicinais podem substituir perfeitamente muitos medicamentos sintéticos. Além de serem mais baratos, eles oferecem bem menos efeitos colaterais que as drogas industrializadas.

Cólicas e gases intestinais, por exemplo, podem ser facilmente solucionados com um chá de erva-doce ou hortelã. Estas plantas garantem o mesmo efeito que os medicamentos antiespasmódicos.

“Mas as ervas não estão isentas de toxicidade”, salienta a especialista em fitoquímica Rute Mendonça Xavier de Moura, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC). Ela lembra que as plantas, como os animais, têm seu mecanismo de defesa. Então, além das substâncias com propriedades medicinais, elas contêm toxinas, que servem para afastar os predadores.

“A própria natureza garante às ervas um jeito de se defenderem das ameaças do meio onde são cultivadas, ou seja, de ataques de animais e insetos”, comenta. Por isso, o uso de ervas tem que ser tão controlado quanto o uso de medicamentos produzidos em laboratório. Elas devem ser ingeridas na dose certa.

Em algumas plantas, o teor de toxicidade é muito alto. É o caso do confrei, que foi muito usado no passado para tratar úlceras de estômago e acabou matando várias pessoas por intoxicação. Hoje, sua ingestão é proibida.

Outro exemplo é a canela. Usada em doses adequadas, ela ajuda a aliviar cólicas e favorece o fluxo menstrual. Porém, pode causar deformidades no feto quando usada em excesso por gestantes ou pode intoxicar um bebê durante a amamentação.

“Por isso, deve-se ter cuidado com a escolha, porque você pode fazer um chá e ingerir, junto com a propriedade medicinal, uma substância de efeito tóxico. O que a gente aconselha é que as pessoas só façam chás de espécies que são bem conhecidas, de preferência aquelas já estudadas e relatadas na literatura farmacêutica”, orienta Moura.

Questionada sobre a venda destes produtos na rua, a professora sugere que sejam observados alguns critérios. O primeiro deles é quanto à identificação do produto. “Uma mesma planta é conhecida por vários nomes e, ao contrário, um mesmo nome pode referir-se a várias espécies. Para não confundir, deve-se pedir pelo nome botânico da espécie”, comenta.

Outra observação é quanto à embalagem. “Você não compra, na farmácia, um comprimido solto. Ele deve vir em embalagem fechada. As ervas também devem ser vendidas em embalagens fechadas, com várias informações no rótulo, principalmente o nome científico e o prazo de validade”, observa.

Segundo Moura, as ervas mantêm seu princípio ativo com qualidade por um período de um ano e meio após a colheita, em média. “O ideal é adquirir as plantas de uma farmácia. Estes estabelecimentos só adquirem ervas que vêm com um laudo de qualidade, ou seja, as plantas foram colhidas e desidratadas sob supervisão de um farmacêutico. Porque até a temperatura inadequada da desidratação pode inativar o efeito”, explica.

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