Bairros

Hospital Estadual e HB vão formar rede

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A instalação definitiva do Hospital Estadual (HE) de Bauru vai mudar o panorama de atendimento médico na cidade. Além de dobrar o número de leitos públicos, a instituição vai dividir tarefas com o Hospital de Base (HB), criando uma rede hospitalar para atendimento público.

De acordo com o diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, essa mudança deve ocorrer em 2004, quando o HE já estará operando em sua plena capacidade. “No ano que vem, as mudanças deverão ser poucas. Mas, a partir de 2004, Bauru deverá caminhar para se transformar em referência em atendimento médico”, afirma.

A meta da Secretaria Estadual de Saúde, de acordo com Viviani, é transformar o HB num grande centro de urgência e emergência. “O hospital vai ser qualificado para esse tipo de finalidade”, enfatiza.

Com isso, a falta de vagas que hoje é um dos maiores problemas do Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central deverá ser solucionada. “As mudanças vão desafogar bastante o PSM”, afirma Sônia Fiocchi, secretária municipal de Saúde de Bauru.

Ela explica que o alívio também virá no que diz respeito ao atendimento clínico. “Muita gente, quando não consegue marcar consulta com os especialistas no Ambulatório de Especialidades, exige ser atendida no PSM”, destaca Sônia. Esse problema será solucionado com o encaminhamento para o HE.

O Hospital Estadual já está fazendo agendamento de consultas, mas ainda não está recebendo os pacientes. De acordo com Viviani, o HE não está preparado para atender as pessoas que se dirigem direto para ele. “Ele só vai atender os encaminhamentos, que deverão ser feitos nas unidades de saúde dos municípios e pronto-socorros”, salienta.

No local, também não serão atendidas urgências e emergências, somente consultas com especialistas. As cirurgias deverão ser pré-agendadas, o que é chamado no jargão médico de eletivas. “Com o passar do tempo, a idéia é implantar no hospital o que há de mais moderno em termos de cirurgias e transplantes de alta complexidade”, salienta Viviani.

Ele explica que o HE deverá ser referência no atendimento de urgência e emergência em pediatria, clínica médica, internações, cirurgias eletivas e cardiologia.

O hospital vai contar ainda com uma ala para tratamento de queimados. Esta deverá ser a última unidade a ser implantada, devido à sua alta complexidade.

Viviani lembra também que existe um projeto de colocar em funcionamento no HE uma estrutura para a realização de cirurgias cardíacas infantis, um tipo de atendimento pouco comum no Estado. “A idéia é oferecer um tratamento diferenciado, que se destaque pela sua necessidade”, salienta.

Integração

O presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Saab, explica que a abertura do HE vai possibilitar um desafogamento do Hospital de Base (HB) também no caso dos atendimentos regionais. “Hoje tudo se concentra no HB, mas a idéia é levar para o Hospital Estadual 90% do atendimento regional”, frisa.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que é um dos articuladores dessa mudança junto à Secretaria Estadual de Saúde, diz que, para que esse esquema funcione de forma eficaz, será preciso que haja uma integração entre o Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central e o HB. “Não adianta colocar as vaidades de cada administração em primeiro lugar. Tem que se pensar no atendimento público como um todo”, salienta.

Ele diz que a Direção Regional de Saúde (DIR-10) é quem vai ter que coordenar essa integração, visando otimizar o atendimento à população. “A idéia é resolver também o problema do PSM Central, que vai ficar com menos carga de atendimento”, frisa.

Ele diz que o HB vai precisar se modernizar para dar conta do recado. “Se o Hospital de Base não melhorar o atendimento e as suas instalações, as pessoas vão cobrar, vão comparar sempre com o HE”, acredita.

Para o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, José Pereia Martins, as mudanças que estão sendo propostas pela Secretaria Estadual de Saúde serão produtivas para a população. “A integração entre o PSM Central, o HB e o Hospital Estadual fará com que a cidade possa oferecer um atendimento adequado para a população”, avalia.

No entanto, ele prefere esperar até que tudo seja colocado em prática para dimensionar melhor como vai ficar o atendimento médico na cidade.

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