Cerca de 15% dos pacientes internados após passar pelo Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru são da região, o que piora ainda mais a lotação da unidade de saúde. Eles deveriam sair de suas cidades já com vagas garantidas nos hospitais, o que não está ocorrendo, segundo o médico Felinto dos Santos Neto, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde.
A Central Reguladora de Vagas (CRV), órgão ligado à Divisão Regional de Saúde (Dir-10) que tem como atribuição localizar leitos para assistência médica especializada, não é procurada em muitos casos. Por isso, o PSC acaba recebendo pacientes graves sem dispor de leitos para prestar o atendimento adequado.
“Quando o paciente pode ser atendido na enfermaria, até temos como colocar mais uma maca, mas não temos como adequar uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) para receber mais uma pessoaâ€, explica Felinto.
Por essa razão, ele demonstrou apreensão quando uma criança de Duartina chegou anteontem até a cidade com determinação da Justiça para ser internada na UTI, sem que existisse uma vaga para ela. “Se tivermos cinco respiradores e cinco pacientes e ainda assim nos mandarem um caso grave que necessite do mesmo aparelho, qual autoridade vai decidir quem deve morrer?â€, questiona ele.
Neste mês, 385 munícipes de Bauru passaram pelo PSC e foram internados. A unidade encaminhou outras 50 pessoas da região. Mesmo diante do impasse, para o diretor da Dir-10, Affonso Viviani, decisão judicial não se discute, se cumpre.
â€œÉ a primeira vez que temos um caso de internação através de um mandado judicial. Estaremos numa situação confortável com relação às internações em UTI quando contarmos com os leitos do Hospital Estadual (HE), o que deve acontecer no segundo trimestre do próximo anoâ€, explica.
Atualmente, o Hospital de Base (HB) conta com nove vagas na UTI infantil e 30 na adulto. O atendimento será quase duplicado quando o HE estiver operando com sua capacidade máxima, pois a entidade vai dispor de mais nove vagas na UTI coronária, quatro na de queimados, 11 na de adultos e 11 para crianças.
Compartilha da mesma opinião o Diretor Clínico do HB, Samuel Fortunato. “Em dois meses, este já é o terceiro mandado judicial que recebemos da região exigindo internação. Um deles foi um preso espancado que também não conseguiu vaga através da CRVâ€, conta.
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Cruzar os braços
“Não podemos cruzar os braços diante de casos graves de saúde. Todo o cidadão merece ser bem atendido. Vou lutar por isso mesmo que sofra retaliaçõesâ€, diz o advogado e provedor da Santa Casa de Misericórdia de Duartina, Fiovo Maranho.
Anteontem, ele recorreu à Justiça para garantir a internação de um garoto de 8 anos na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base.
Segundo ele, a iniciativa foi tomada após uma médica da entidade ter informado que o quadro clínico do garoto era gravíssimo e que ele corria risco de morte. “Dependemos da retaguarda do HB. Se eles enfrentam problemas, devem levá-los ao governador ou ao ministro da Saúde. Aqui em Duartina estamos abandonadosâ€, defende.
Também foi a preocupação com o quadro clínico da criança que levou o juiz Alípio Roberto Figueiredo Cara a deferir a determinação exigindo a internação do paciente na UTI.
“Recebi um laudo médico indicando que se o atendimento não fosse rápido, o paciente morreria. Eu tentei preservar uma vida dele. Um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) me procurou e eu disse que a criança precisava de cuidados especiais e que quando estivesse melhor, poderia ser transferida para outra cidade com segurançaâ€, ressalta.