O Armazén Bar comemora 22 anos de existência e o público fiel de várias gerações se faz presente e agradece a “brincadeira†que começou no dia 20 de novembro de 1980. A festa deste ano teve início anteontem e termina hoje com a apresentação das bandas Mandrake, Cavalo Morto, Stage, XYZ e Triall. Na soma dos três dias, 15 bandas terão subido ao palco do bar, neste aniversário.
Brincadeira foi o termo que o ex-assessor industrial Paulo Roberto Penatti, o Paulão, um dos proprietários do bar utilizou para contar como tudo começou. A idéia surgiu de uma viagem feita com um amigo para a Europa. Paulão, e Norton Sérgio Decilo Chegure visitaram um bar na Holanda e rapidamente se ambientaram com o local.
Em 1979, abriram no Cambuí em Campinas o primeiro Armazén Bar. A inovação, com um ambiente underground, quebrou todo o conceito e o estilo de bares da época.
Um ano depois Paulão foi transferido pela Shell, onde trabalhava, para Bauru e abriu o segundo Armazén Bar com as mesmas características. Tocando rock and roll, jazz, MPB e blues, o bar se consolidou na cidade e com isso o empresário se “naturalizou†bauruense.
Paulão conheceu a ex-advogada Valéria de Carvalho Costa, que hoje administra o bar com ele, casou-se, aumentou a família e a brincadeira passou a ser coisa séria. Hoje o Armazén Bar está entre os poucos bares de Bauru que mantém o nome e a tradição de um bar legítimo de blues e rock and roll.
Roqueiro desde pequeno Paulão conta que o bar acabou tomando esse caminho até por causa desse perfil. De acordo com Paulão, o sucesso está em fazer um trabalho para um tipo de público específico.
Por sua postura o Armazén se firmou e é conhecido pelo público e músicos como uma verdadeira casa, abrindo espaço e acolhendo novos e velhos talentos como as bandas de Bauru Technicolor, For Fun, Slave, Ostrankera, Psique, Hell, Nomad, Sweet Leaf, Triall, Rock S/A; as bandas Madra e Awaska de Marília; Os Patrões de Jaú; de Ribeirão Preto, Sun Walk & the Dog Brothers; Beatless, de Rio Claro; Children of the Beast e Velhas Virgens, de São Paulo; O Bando do Velho Jack, do Mato Grosso, dentre muitas outras.
De acordo com Paulão, maior parte das bandas que tocam no bar são de garagem, mas nomes como o americano All Broussard, considerado um dos pais do blues e do jazz, já passaram pelo palco do Armazén. Paulão recorda emocionado quando, em 94, o pianista desceu do palco para saudar as pessoas presentes no bar. “Ele desceu do palco cumprimentando um por umâ€, conta.
Os músicos Tiquinho, que hoje toca com Jorge Ben Jor, e João Filard, filho do rock que está no Rio de Janeiro, são exemplos de bauruenses que já se apresentaram no Armazén e saíram para ganhar os palcos brasileiros.
Paulão conta que filhos de músicos, que já tocaram no bar, hoje assumem o lugar no palco. “Os pais começaram no palco do Armazén e trazem os seus filhos para freqüentar o bar, eles sempre vêm para dar uma forçaâ€. Um exemplo disso é o músico Carlos Turtelli da banda Super Liga Katólika que já tocou no bar e hoje passa a bola para o seu filho Bruno Turtelli.
Paulão lembra também de um dos fundadores da Super Liga Katólica, que revolucionou a cena do rock local nos anos 80 e sempre freqüentou o bar. Francisco Carlos São Romão Sanches, o Carlinhos “Bauruzãoâ€, faleceu no mês passado e deixou em seu repertório a música “Vampiro de Bauru†que fala do Armazén. Paulão diz que está preparando uma festa para homenagear o músico.
O bar evoluiu, sobreviveu ao tempo com poucas modificações feitas no ambiente. O Armazén já foi pintado de verde (na época que o bar vendia a cerveja Heineken), branco, tijolo e hoje está amarelo (por causa da Skol), mas o balcão, as mesas redondas e as pingas vendidas no local, consideradas carro-chefe do bar, permanecem inalterados.
• Serviço
Aniversário de 22 anos do Armazén Bar. Apresentação das bandas Mandrake, Cavalo Morto, Stage, XYZ e Triall. Hoje, a partir das 23h. Rua Quintino Bocaiúva, quadra 2.