Bairros

Verba emperra projeto de reciclagem

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma alternativa para solucionar o problema do desperdício de alimentos em Bauru já foi criada. Mas, para entrar em funcionamento, está esbarrando numa questão prioritária: verbas.

O Programa de Reciclagem de Alimentos “Alimenta Bauru”, criado pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, mostra o caminho exato que as sobras deveriam percorrer das empresas até a população carente. No entanto, está paralisado, sem perspectiva de ser colocado em prática.

O autor da idéia, Domingos Malandrino, que criou o projeto na condição de diretor de Agricultura do município, diz que essa é uma das grandes frustrações da vida dele. “Faz mais de um ano que o projeto foi apresentado para diversos setores da sociedade, mas ninguém quer assumir essa iniciativa”, salienta.

Para que o programa funcione, ele acredita que seria necessário um investimento mensal de aproximadamente R$ 3 mil. Além disso, precisaria fazer uma adaptação de um galpão no Instituto Penal Agrícola (IPA) para o funcionamento da central de reciclagem. “Em vista do benefício que isso iria trazer, seria um valor irrisório”, afirma.

De acordo com Malandrino, o projeto consiste em recolher, junto à empresas do ramo alimentício (supermercados, restaurantes, padarias, bufês, etc.) produtos que perderam a qualidade para a venda, mas que mantêm as suas características para o consumo intactas.

O programa assumiria toda a responsabilidade pelos produtos a partir da sua coleta, responsabilizando-se pela segurança e pela qualidade dos alimentos. “Noventa por cento dos empresários desse ramo têm medo de fazer doações. Nós assumiríamos isso para evitar transtornos para eles”, salienta.

Triagem

Segundo o programa, os produtos seriam coletados diariamente por uma equipe da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento. “Para isso, os funcionários seriam treinados para transportar os alimentos sem contaminá-los e os veículos também seriam adaptados”, explica Malandrino.

A central de triagem e processamentos dos alimentos funcionaria no IPA de Bauru. “Dessa forma, ainda estaríamos dando uma chance para os reeducandos trabalharem e contribuírem com a sociedade”, destaca.

Os manipuladores dos produtos operariam com luvas de proteção, máscaras, toucas e com todos os apetrechos necessários para garantir a qualidade dos produtos.

Os reeducandos seriam acompanhados por estagiários do curso de nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC), um dos parceiros do projeto.

Nessa central de reciclagem, os alimentos seriam selecionados. Os que já não oferecessem condições para o consumo seriam dispensados. Os demais, passariam por um processamento para garantir a sua conservação por mais tempo. “Os produtos ficariam armazenados na central e poderiam ser retirados pelas instituições cadastradas conforme a sua necessidade de demanda, avaliada e aprovada pelo programa”, diz Malandrino.

Entre os parceiros do programa que poderiam contribuir para o seu funcionamento estão, além do IPA e da USC, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e a Fundação Lions.

Para Malandrino, há muitos produtos que poderiam ser reaproveitados, inclusive os industrializados. “A data de vencimento dos produtos é apenas um critério para a venda. Não quer dizer que já está estragado”, destaca.

Ele lembra que os alimentos não seriam entregues para o consumo de qualquer forma. A triagem seria feita com critérios nutricionais e o atendimento das entidades, controlado pela Sebes. “Cerca de 25% da população de Bauru está abaixo da linha da pobreza. Poderíamos reduzir pelo menos uma parte dessa carência”, informa.

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