Era uma vez um casal que trabalhava entre 12 e 14 horas por dia num país onde se valoriza o trabalho e o empreendedor é incentivado. A saudade dos familiares e de seu país de origem fez com que voltassem e tentassem novamente ganhar o pão de cada dia em sua Pátria. Tentativas em vão em busca de emprego levaram-nos à decisão de montar algum tipo de comércio. Três anos de economia, fruto de trabalho árduo, davam-lhes condições para isso. Resolveram, então, conhecer o Nordeste, mas avaliaram que não haveria condições de se estabelecerem naquela região, porque continuariam na mesma situação de antes, ou seja, longe dos familiares. Optaram então por Bauru, terra da esposa. Alugaram um imóvel para o negócio, investiram em reformas necessárias e mesmo antes do primeiro freguês foram agraciados com a presença dos fiscais da prefeitura, notificando-os porque “ouviram dizer que já tinham vendido alguma coisaâ€. O interessante é que neste dia ainda havia jornais nas portas e janelas de vidro, provando até aos menos inteligentes que as atividades ainda não tinham se iniciado. Mas chegou o dia da inauguração! Já no dia seguinte, após exaustiva jornada, acordaram assustados às 4h30 da manhã com o alarme do estabelecimento disparado. A princípio pensaram que poderia ser uma mariposa (segundo alguns, aquela que traz sorte e dinheiro quando entra em sua casa ou comércio) passando pelos sensores. Que nada! Ao chegarem ao estabelecimento depararam com a porta escancarada, fechaduras arrombadas e mercadorias faltando. Mas já na segunda-feira após o roubo, novamente os fiscais da prefeitura se fizeram presentes com novas exigências relativamente a portas, antecâmaras, telas, etc, embora o casal tenha se prevenido quando requisitou vistoria prévia do local antes da inauguração e cuja vistoria apontou regularidade nas instalações.
Por ora, fica a questão: existe algum órgão na prefeitura ou no Estado que mande alguém para saber se precisamos de algum incentivo por estarmos gerando empregos ou trazendo divisas internacionais para a cidade? Existe algum órgão municipal, estadual ou mesmo federal mandando alguém para saber se precisamos de segurança? Ou apenas como empreendedores nos resta ficar à mercê da sanha fiscalizatória (da Prefeitura Municipal) e expropriatória (dos marginais que permanecem impunes)? (Alfredo de Oliveira Neto - RG:- 8.956.907)