Se por um lado Bauru tende a se transformar num pólo regional de saúde nos próximos três anos, por outro a cidade já ostenta o título de referência internacional há décadas por dois de seus hospitais: o Instituto Lauro de Souza Lima e o Hospital de Reabilitação das Anomalias Crâniofaciais (Centrinho). Ambos são respeitados mundialmente por seus trabalhos altamente especializados.
A história do Centrinho começou na década de 60, quando um grupo de sete professores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) observou que havia um número muito grande de portadores de anomalias labiopalatais (fissurados) na região.
Juntos, eles formaram o Centro de Pesquisa e Reabilitação das Lesões Lábiopalatais, logo apelidado de Centrinho. Cerca de seis anos depois, em março de 1973, foi inaugurada a primeira sede própria do Centrinho que, em dois anos, receberia o título de hospital especializado. Um decreto de 1976 consolidou a transformação.
Com o passar dos anos e a necessidade dos pacientes, os médicos envolvidos com o projeto perceberam que era preciso ampliar o trabalho. O hospital que tratava apenas das fissuras de lábio e palato passou a cuidar também dos dentes das crianças, de distúrbios auditivos, visuais e de fala.
Hoje, o Centrinho tem quase 56 mil pacientes matriculados. São 36 mil em tratamento para malformações craniofaciais e 18 mil em tratamento para deficiência auditiva, além das outras deficiências. Em média, são registrados 260 pacientes novos por mês.
Para o diretor clínico do hospital, Luiz Fernando Ribeiro, o Centrinho se destaca dos hospitais convencionais por oferecer, desde sua fundação, um atendimento multidisciplinar.
Segundo ele, o quadro de funcionários é composto por quase 800 profissionais, incluindo anestesistas, cirurgiões, geneticistas, otorrinolaringologistas, pediatras, intensivistas, dentistas, enfermeiros e auxiliares, protéticos, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas, além do pessoal de limpeza e administração.
“O Centrinho acompanha cada um de seus pacientes por no mínimo 15 anos até a reabilitação totalâ€, comenta Ribeiro. Isso porque as seqüelas das malformações congênitas aparecem em vários momentos do desenvolvimento da criança e adolescente. Conforme aparecem, vão sendo revertidas.
O paciente fissurado, por exemplo, vai ter alteração da arcada dentária e pode necessitar de aparelho ortodônticos, correção ortognática, implantes. Ele pode também apresentar dificuldades de mastigação, deglutição e fala. Portanto, o paciente do Centrinho só recebe alta quando está totalmente reabilitado.
O hospital recebe pacientes de todo o Brasil e mesmo do exterior. O atendimento é totalmente gratuito, realizado via Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive com transporte e alojamento para familiares.
â€œÉ um hospital com 96 leitos para internação, seis leitos em UTI, cerca de 400 cirurgias realizadas por mês e índice de infecção de 3%, o que é considerado baixíssimo. É uma unidade de alta referência e alta complexidadeâ€, acrescenta o diretor.
Além do atendimento, o Centrinho sagrou-se no meio acadêmico. De acordo com a presidente da Comissão de Pós-graduação e pesquisa do hospital, Inge Elly Kiemle Trindade, o hospital transformou-se numa importante unidade de ensino e pesquisa.
“Porque a prioridade do pesquisador é transferir seus conhecimentos. Nós atendemos apenas uma parcela dos portadores de anomalias craniofaciais e queremos treinar outros profissionais para dar as mesmas oportunidades de tratamento a outras pessoas, em outras regiõesâ€, comenta.
Neste sentido, o hospital disponibiliza programas de estágio curriculares e extracurruculares, cursos profissionalizantes, cursos de mestrado e doutorado, além de residência médica para treinamento profissional.