Criado a partir de um asilo-colônia que abrigava e exilava os leprosos na década de 20 do século passado, o Instituto Lauro de Souza Lima transformou-se num hospital altamente especializado no tratamento e pesquisa de problemas dermatológicos complexos. Além do diagnóstico e cirurgias, o instituto oferece inúmeras alternativas de reabilitação a seus pacientes.
De acordo com o diretor técnico do hospital, o médico Marcos Virmond, o “Lauro†dispõe atualmente de 86 leitos para internação. Com 450 funcionários, ele realiza aproximadamente 1,6 mil consultas por mês. Só neste ano foram registrados quase 23 mil atendimentos, com mais de 300 internações.
Entre os procedimentos oferecidos pelo hospital, estão o atendimento ambulatorial, exames e testes específicos, fisiatria, cirurgias de mão, cirurgias ortopédicas, cirurgias plásticas e oftalmológicas, fisioterapia, terapia ocupacional, confecção e adaptação de próteses, órteses e calçados especializados, além de cuidados psicológicos e assistenciais - tudo no intuito de minimizar as seqüelas dermatológicas.
“Nos últimos anos, o hospital tem aprimorado bastante as alternativas de reabilitação, que visam não só os hansenianos, mas também vítimas de traumatismos. Cerca de 10% dos pacientes vêm para reabilitação pós-trauma ou em tratamento de doenças congênitasâ€, comenta Virmond.
O Instituto Lauro de Souza Lima foi criado em 1927. Naquela época, a hanseníase (lepra) era uma peste contagiosa da qual todos queriam distância. Incomodados com a presença dos doentes na cidade, membros da sociedade juntaram-se para comprar um pedaço de terra em lugar afastado, onde “despejaram†e exilaram os leprosos.
A internação era compulsória. Bastava alguém receber o diagnóstico da doença que a polícia se encarregava de capturar e levar ao asilo. Sem escolha, os asilados construíram uma vila, com casas, ruas, praça, teatro, igreja e coreto. Em 1934, o governo do Estado decidiu intervir nestes abrigos, melhorou a estrutura deles e criou os asilos-colônia. Havia cinco deles em São Paulo. O de Bauru foi chamado Asilo-Colônia Aimorés, depois passou a ser designado Sanatório Aimorés.
Enquanto isso, pesquisadores de todos os cantos buscavam remédios e tratamentos para a hanseníase. No início da década de 70, a lepra já tinha cura e o governo acabou com os asilos-colônia. Os internos ganharam a liberdade e Aimorés foi transformado em hospital. Uma década mais tarde ganhou o título de instituto. Além de hospital, tornou-se um pólo de estudos e pesquisas sobre a doença.
Hoje, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o “Lauro†uma referência mundial no combate à hanseníase. “Ele foi o único asilo que deu continuidade às pesquisas. É o único hospital especializado em hanseníase no Brasil e tornou-se referência internacional por suas pesquisas e seu caráter educativoâ€, observa o diretor.
Segundo ele, como o Centrinho, o Instituto Lauro de Souza Lima oferece cursos, estágios e aperfeiçoamentos para profissionais no Brasil e do exterior. Ele estima que, só nos últimos oito anos, cerca de 12 mil profissionais tenham passado pelo hospital em busca de conhecimento especializado.
Na opinião de Virmond, o Hospital Estadual de Bauru (HEB) deverá preencher uma lacuna no atendimento médico da região. “Nós tínhamos dois centros de referência internacional e uma rede de atendimento básico, mas havia um déficit para procedimentos eletivos e de médio porte. Precisávamos deste meio-termo para garantir maior equilíbrio ao atendimento em saúde localâ€, comenta.