O proprietário da Delta Informática, Altair Valvassori, protocolou ontem na Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras documento no qual atesta que não tem notas fiscais que comprovam a procedência dos softwares Acrobat e Corel Draw e da lente zoom Canon adquiridos pela Câmara Municipal através de sua empresa.
Na semana passada, o presidente da comissão de investigação, vereador Luiz Carlos Valle (PSB), solicitou a Valvassori o encaminhamento das notas fiscais para comprovar a autenticidade dos materiais.
Como a resposta foi negativa, suspeita-se que os programas e a lente vendidos à Câmara sejam piratas. O proprietário da Delta Informática foi convocado novamente para depor na CEI, o que deverá acontecer hoje, às 9h.
No seu primeiro depoimento, Valvassori afirmou à comissão de investigação que só havia realizado um único negócio com o Poder Legislativo: a venda do software de atualização Autocad, versão 2002, cuja nota fiscal de procedência também não existe.
Ele não mencionou a comercialização dos programas Acrobat e Corel Draw e nem da lente zoom Canon. O fornecedor dos materiais é a VF Informática, estabelecida em Lençóis Paulista, instalada na mesma loja na qual funciona a Delta Informática.
Os dois softwares estavam desaparecidos da Câmara. Os programas foram adquiridos em outubro do ano passado ao custo de R$ 1.809,00. Na última sexta-feira, os CDs contendo os softwares apareceram misteriosamente dentro de um envelope deixado no balcão de entrada do Legislativo.
A lente, porém, não foi localizada, até hoje, em nenhum setor da Câmara Municipal. O equipamento é utilizado na máquina de microfilmagem.
Depoimentos
Além de Valvassori, também serão ouvidos hoje o proprietário da Bauru Tec, Amaury Marcos Antunes Ramuno. A empresa é responsável pelo fornecimento ao Poder Legislativo de um lote de cinco cartuchos de tonner em dezembro do ano passado e março deste ano, ao custo de R$ 3.750,00.
Parte do material também não havia sido localizada na Câmara Municipal. Dos 13 kits adquiridos entre janeiro do ano passado e março deste ano, o equipamento de microfilmagem só utilizou três.
Também na última sexta-feira apareceram no prédio do Legislativo três cartuchos do produto, cujo remetente é desconhecido. Somados aos outros três já utilizados pela máquina de microfilmagem, ainda estão desaparecidas sete unidades.
Também estão agendados para a manhã de hoje os depoimentos do ex-diretor administrativo da Câmara, Luiz Renato Joel. Na época, era ele o responsável pelas compras e recebimentos dos materiais adquiridos pelo Legislativo.
A chefe do setor de microfilmagem da Casa, Margarida Maria Almeida Dota, também vai prestar declarações à comissão de investigação.
A CEI deverá pedir ainda hoje a microfilmagem de dois cheques emitidos para pagamento de serviços prestados à Câmara. Um no valor de R$ 1.800,00 pago à AP Microfilmagem e Digitalização, no dia 2 de agosto de 2001.
O outro no valor de R$ 7.980,00 para pagamento de serviços gráficos executados pela Gráfica e Editora Multicores.
Os dois processos têm assinaturas semelhantes tanto na requisição feita para a compra quanto no recebimento dos cheques. Desconfia-se que o mesmo servidor que avalizou o serviço recebeu as importâncias em nome das empresas.