O novo currículo das escolas estaduais de todo o Estado de São Paulo será escolhido através de uma eleição pela Internet. A principal novidade das sugestões apresentadas pela Secretaria de Estado da Educação é a inclusão de disciplinais da área de humanas, como psicologia, filosofia, sociologia para alunos do ensino médio (antigo colegial) e remanejamento de carga horária para alunos do ensino fundamental (de 5.ª a 8.ª série).
As 6.100 escolas do Estado começaram a discutir as novas propostas ontem e a partir de hoje já podem fazer a escolha. “As escolas devem escolher as propostas até sexta-feira. Depois desta data vamos tabular os resultados e, no começo do próximo, estaremos divulgando qual das propostas será adotada pela rede públicaâ€, afirma Gabriel Chalita, secretário estadual de educação, através de sua assessoria de imprensa.
Uma das três propostas sugeridas pelo governo é de que as próprias escolas façam suas grades curriculares, desde que estejam incluídas disciplinas básicas e respeitadas as Leis de Diretrizes de Base (LDB) da educação.
Para o ensino fundamental (de 5.ª a 8.ª série), a secretaria apresentou três opções: manter o currículo como está; redistribuir aulas, aumentando a carga horária de matéria de humanas; ou redistribuir aulas, aumentando matéria de ciências naturais e matemática.
Já para o ensino médio existem quatro propostas: manter o currículo como está; acrescentar filosofia e aumentar a carga de português; manter o 1.º ano como está, e deixar que cada escola escolha como distribuir as aulas no 2.º e 3.º anos; ou elaborar outro modelo de grade curricular, de acordo com as sugestões de cada escola.
Para a 1.ª a 4.ª série não existem propostas, pois já foram feitas mudanças. “Num momento anterior a rede foi ouvida e constatou-se que a principal solicitação era a inclusão de aulas de educação física e de ensino de arte, dadas por professores habilitados para issoâ€, lembra Chalita.
O Sindicato dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp) já avisa que será contrário a qualquer mudança que resulte em redução de aulas seja qual for a disciplina. “Somos favoráveis à inclusão de novas disciplinas, mas sem a redução do número de aulas das que já fazem parte do currículoâ€, explica Maria Aparecida de Oliveira Santini, conselheira do sindicato.
Ontem, sem conhecer detalhes das propostas, ela disse que a redução de aulas de algumas disciplinas para dar espaço a outras representaria prejuízo à qualidade do ensino e redução de trabalho para professores já contratados pelo Estado. “A mudança é possível aumentando a carga horária, voltando ao sistema de hora/aulaâ€, diz.
Atualmente, está em vigor o sistema de aula/relógio, de 60 minutos de aula. O sistema hora/aula é de 50 minutos por aula. “Assim seria possível incluir uma aula a mais na grade por dia, com a redução de dez minutos de cada aulaâ€, afirma. “Mas o que estamos escutando é que o governo vai diminuir uma disciplina para aumentar outra, o que somos contraâ€, protesta.
O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, defende a redução de aulas de português para a inclusão de filosofia, psicologia e sociologia no ensino médio. “Com essa mudança vamos ter uma grade mais voltada para a humanização do aluno, o que considero muito importanteâ€, afirma.