No ano de 91, se não me falha a memória, nas chuvas de janeiro, uma repórter que fazia a cobertura das enchentes na Grande São Paulo, disse a seguinte frase: “São Paulo tem erros do passado os quais tornam difícil para o futuro e impossível para o presente conseguir corrigi-los.â€
E infelizmente nossa querida cidade sem limites demonstra ser sem limites também em criatividade e no descaso para com os interesses do município e de seus munícipes. Nosso departamento de obras públicas sobrevive de projetos faraônicos e ao mesmo tempo ultrapassados, coisas de engenharia de 3.º mundo.
As quais nos fazem sentir lesados e ao mesmo tempo enganados, como crianças com fantasias de cegonha, Cinderela e Papai Noel. Nossa cidade recebeu com orgulho a notícia segundo a qual Bauru seria a cidade que mais cresceria até o ano 2000. Orgulho, sonho ou pesadelo? Pesadelo: porque o título foi para Marília.
Nossa cidade não foi tão favorecida pela natureza, aliás, não é o rio que tem que se adaptar ao homem e sim o homem que tem que se adaptar ao rio, afinal ele já estava lá quando o homem chegou. E temos o rio Bauru como a única opção de escoamento de nossas águas, as zonas norte, sul, leste e oeste da cidade têm seus córregos como se fossem grandes rios a caminho do mar, fazem do rio Bauru seus oceanos, os nossos engenheiros e secretários de obras, visando sempre o presente, e se esquecendo do futuro cada vez mais próximo, canalizam o rio com uma vazão superlimitada, já quase não dando conta do volume de águas lá existente. Será ele num futuro muito próximo o responsável pelo nosso caos ou quem sabe, de nossas tragédias?
Nossos bairros sofrem com esse amadorismo quando cobram obras de melhorias, as quais tanto reivindicam e quando chegam, recebem um asfalto de pouca qualidade para ser testado nas próximas chuvas e ninguém sabe se irá resistir. Bauru sobrevive de promessas, como o asfalto do ano 2000, que fora colocado na avenida Rodrigues Alves e pavimentação semelhante vem cobrindo o solo de nossos bairros, como um incinerador queimando nossos recursos e sacrifícios com obras deste porte. Nossos administradores não sabem qual é a função das galerias e bocas-de-lobo para as águas pluviais e com isso esparramam a terra misturando a uma minúscula quantidade de cimento e isso não nos dá soluções satisfatórias para o problema da poeira. Que dirá problemas com as chuvas. Enquanto não existirem pessoas certas em lugares certos, teremos que conviver com estes sonhos prestes a virarem pesadelos. (Claudionor Pedroso - RG: 13.908.437)