Botucatu - O delegado Jadir Canuto foi autuado em flagrante ontem de manhã, por lesão corporal contra o oficial de Justiça Gerson Tavares, da 2ª Vara da Comarca de Botucatu. Canuto foi detido depois de disparar quatro vezes contra o oficial. Um dos tiros atingiu o calcanhar direito de Tavares, que passa bem. O acusado foi levado para o presídio da Polícia Civil, em São Paulo.
O desentendimento entre os dois teria sido provocado, segundo informações extra-oficiais, por motivos passionais.
Embora a polícia não tenha confirmado essa versão, testemunhas alegam que o pivô da discussão foi a ex-mulher do delegado, Adelma Simões de Souza.
Mesmo não estando separados judicialmente, Adelma e Canuto não estavam mais juntos, segundo apurou a reportagem.
Canuto é delegado em Cerqueira César, na região de Avaré, e está licenciado do cargo, segundo informações do delegado substituto Rubens César Garcia Jorge.
A exemplo de Tavares, a mulher de Canuto também é oficial de Justiça e teria chegado a Botucatu há pouco tempo.
Além de dividir o mesmo local de trabalho, a 2ª Vara da Comarca, Tavares e Adelma passaram também a morar juntos.
Segundo informações de moradores, antes de dividir espaço debaixo do mesmo teto, com a oficial de Justiça, Tavares, que também é casado, teria deixado a mulher.
O suposto envolvimento amoroso entre os dois teria desagradado Canuto. Supostamente por esse motivo, ele foi ontem de manhã até o Fórum de Botucatu atrás do oficial de Justiça.
Como não o encontrou, o delegado foi conversar com a ex-mulher de Tavares, em seu local de trabalho - no Cartório do 1º Ofício, no Centro da cidade.
Ela ligou para o ex-marido e quando ele chegou ao local, na avenida Santana, por volta das 8h30, Tavares e Canuto começaram a discutir.
No calor da desavença, o delegado foi até o carro e pegou um revólver, calibre 38, e efetuou quatro disparos para o chão. Um deles atingiu o calcanhar do oficial, que foi socorrido e levado para a Santa Casa.
No momento dos disparos, uma viatura da Polícia Militar passava próxima ao local. Como o delegado continuava com a arma em punho, o tenente Maurício Lanhoso de Lima ordenou que largasse o revólver e deitasse no chão.
Mesmo alegando ser delegado, Canuto decidiu obedecer a ordem do tenente.
O acusado foi levado à delegacia, onde foi autuado por crime de lesão corporal. Em seguida, segundo informou o delegado Mauro Sérgio Rodrigues dos Santos, do 1º Distrito Policial, onde foi registrado o flagrante, Canuto foi mandado para o presídio da Polícia Civil, em São Paulo.
De acordo com o delegado, Canuto não foi indiciado por tentativa de homicídio porque ele não teria tido a intenção de matar o oficial de Justiça. “Se o tivesse, não teria atirado para o chãoâ€, alegou.
Em caso de condenação, Canuto pode ficar preso de um a cinco anos.
Depois de receber atendimento médico, Tavares foi liberado e passa bem.