A empregada doméstica leva sua filha para uma consulta médica através do sistema SUS, numa cidade vizinha. A médica solicita exames e a paciente retorna cinco meses depois de conseguir os tais exames. O diagnóstico da médica sugere uma cirurgia corretiva para a criança, procedimento simples e que não requer dois dias de internação.
A mãe interessada na solução do problema, e na saúde da filha, pergunta quando e como poderia ser realizado o ato cirúrgico. Começa então a aparecer a verdadeira face escura de um sistema que privilegia a corrupção, o desrespeito para com o ser humano e a desfaçatez de quem fez o juramento de Hipócrates na formatura.
A médica alega que em virtude do elevado número de pacientes aguardando cirurgias pelo SUS, a menina teria que esperar muito tempo, ou desembolsar a módica quantia de R$ 900,00 ( novecentos reais) e então, como num passe de mágica, passar à frente na suposta fila e realizar o procedimento cirúrgico.
A mãe, que recebe um salário de R$ 250,00 (duzentos e cinqüenta reais), fica atônita e volta para casa sem saber o que fazer, uma vez que não tem o dinheiro exigido para a realização da operação que sua filha precisa fazer. Essa é apenas uma das faces da nossa sociedade injusta, corrupta, onde o pobre recolhe seus tributos e se vê obrigado, quando necessário, a ficar exposto às armadilhas colocadas no meio do caminho, por alguns profissionais de vestes brancas e almas manchadas pelo pecado da omissão, do arbítrio, da ganância e do preconceito social.
Não bastasse a falta de informação, a dificuldade de acesso a educação, o preconceito, os trabalhadores humildes ainda têm que enfrentar a fila, a espera e a corrupção.
Assim, fica cada vez mais difícil acreditar numa Nação, cujo governo é o maior arrecadador de impostos do planeta e presta o pior serviço público a seus contribuintes.
Pagamos IPVA e rodamos em ruas esburacadas, recolhemos IPTU e querem nos fazer pagar taxa de iluminação, pagamos a Previdência e, quando precisamos, temos que recolher um “por fora†para o sistema. Até quando, senhores de branco? Até quando senhores membros da Justiça do Brasil ? Até quando...? (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)