Lins - Todos os anos a cena é a mesma. Quando o Natal se aproxima, o menino Jesus ganha destaque nas residências, principalmente do povo cristão, e ao lado dele são colocadas as figuras de José, Maria, os três Reis Magos e alguns animais. No entanto, a tradicional representação do nascimento de Jesus ganhou muitas variações, com o tempo.
Na exposição de presépios feita este ano na Casa da Cultura de Lins o que não faltou foi criatividade.
Modelos feitos com palha de milho, vidro, pinhão, argila, madrepérola, madeira, pano e figuras que representam as tradições gaúchas, nordestinas e de outros países fizeram parte da mostra.
Desde sua primeira edição, em 1998, a exposição de presépios tem na criatividade dos expositores sua atração principal.
A inovação, geralmente, fica por conta da variedade de materiais usados pelos artistas. Havia até um exemplar feito dentro de uma bucha vegetal. Com isso, a exposição consegue associar religiosidade e criatividade ao mesmo tempo.
A 5ª Expo Presépio de Lins pôde ser visitada gratuitamente do dia 9 último até sexta-feira passada. Além de contemplar as pequenas obras de arte, o público teve ainda a oportunidade de comprar algumas peças em exposição.
A exposição é fruto de conversas entre integrantes da Diretoria Municipal de Cultura, com o propósito de atrair expositores locais e da região.
A idéia surgiu quando a diretoria era comandada por Clarice Camuzato - uma apaixonada por presépios. Ela reuniu algumas peças de sua coleção particular, trouxe outras feitas por artesãos de Lins ou adquiridas em outras partes do País e criou a exposição.
Aparecida de Fátima Martins de Paula, atual diretora de Cultura, lembra que a intenção dos idealizadores da mostra era fugir do tradicional e apresentar algo novo à população.
“Na catedral, nas lojas e dentro das residências já existem os presépios tradicionais. Então, nós decidimos que a exposição deveria ter uma característica própria, diferenteâ€, conta.
Com a idéia bem definida, era hora de sair a campo em busca de presépios que se enquadrassem nas exigências dos realizadores da mostra.
“Fomos atrás e descobrimos que muita gente tem presépios que fogem à característica tradicional, mas a maioria não quis emprestarâ€, disse Fátima.
Para a exposição deste ano, os organizadores conseguiram reunir 35 presépios - cinco a mais do que a mostra do ano passado. Alguns são tão pequenos que cabem na palma da mão.
Inovação
Uma das obras que mais chamou a atenção do público foi a do presépio com ingredientes da cultura nordestina.
Além dos personagens principais terem uma pele mais escura do que tradicionalmente se mostra, as plantas e animais que fazem parte do cenário são típicos do Nordeste.
A obra é uma inspiração do trabalho desenvolvido por Mestre Vitalino, um dos artesãos mais famosos do País.
Ao longo de sua vida, o pernambucano Vitalino Pereira da Silva, registrou no barro e na cerâmica as suas impressões sobre a cultura e o modo de vida do povo nordestino.
A exposição ofereceu ainda a oportunidade do público conferir o trabalho de artesãos mexicanos e italianos. Enquanto o primeiro esculpiu os personagens do presépio dentro de uma canoa, o segundo usou o vidro como matéria-prima para sua representação.
Há também quem fez o trabalho sobre a pedra, dentro de uma concha, de uma bucha vegetal, de um pinhão e até mesmo dentro de um porta-anel. Todos feitos artesanalmente.
De acordo com Fátima, reza a tradição que todos os presépios devem passar a noite de Natal na casa de seus donos. Por esse motivo, a exposição sempre termina antes dessa data.
O único presépio que permanece intacto até a passagem do Natal está montado em frente à Catedral de Santo Antônio, no Centro da cidade.
Elaborado cuidadosamente pela coordenadora da exposição, Jô Machado, o presépio é talvez o único da cidade em tamanho natural.
Além de mostrar a habilidade dos artesãos da cidade e de outras partes do mundo, a Expo Presépio também tem como propósito, segundo a diretora de Cultura, resgatar o espírito cristão do Natal.
Segundo Fátima, com o passar dos anos, a religiosidade foi cedendo espaço para o impulso consumista.
Hoje, na opinião dela, a data é mais ligada à presença da árvore de Natal e do Papai Noel, do que ao nascimento de Jesus, símbolo máximo do cristianismo.