O nome dele já é sinônimo desta época do ano: Natal Segantin. O aposentado, morador do Núcleo Mary Dota, realiza o sonho de milhares de crianças há nove anos. “Quando eu deixo de fazer a campanha, fica um vazio no coraçãoâ€, destaca.
Ele costuma se vestir de Papai Noel e distribuir brinquedos em locais onde há bolsões de pobreza. Os presentes são arrecadados junto à comunidade, principalmente famílias que se solidarizam com o gesto de Segantin e tentam de alguma forma fazer a sua parte.
O aposentado conta que deu início a esse tipo de trabalho voluntário há nove anos. Na época, ele morava no Núcleo Geisel e fez uma festa modesta. “Eu e meus filhos compramos doces e balas e saímos nas ruas entregando os brindes para a criançadaâ€, lembra.
Ele havia acabado de ganhar de presente da mulher e da filha uma roupa de Papai Noel, costurada por elas mesmas. “Nós não imaginávamos que ia fazer tanto sucessoâ€, diz a esposa, Maria Fernandes Segantin.
De acordo com o voluntário, a alegria das crianças foi tão grande que o estimulou a dar continuidade no ano seguinte. “Eu me animei e comecei a buscar arrecadações junto à comunidade, para aumentar a festaâ€, diz.
Na época, ele trabalhava no Serviço Social do Comércio (Sesc) e conseguiu, por lá, a confecção de cartazes solicitando contribuição da população a essa causa. “Eu comecei o trabalho de arrecadação em setembro do ano seguinte, embora o pessoal achasse que era muito cedo para falar em Natalâ€, salienta Segantin.
Segundo ele, a campanha novamente foi um sucesso. “Muita gente veio atrás de mim querendo ajudar e isso rendeu muitos sacos de brinquedo para a criançadaâ€, explica.
Buscando atender as pessoas mais necessitadas, ele saiu do Núcleo Geisel e foi distribuir os presentes na favela do bairro São Manoel.
Como o número de brinquedos aumentou consideravelmente, ele precisou arrumar um caminhão para transportá-los. “O meu filho conseguiu o veículo emprestado na empresa na qual trabalhavaâ€, conta.
Segantin fez a distribuição durante três anos na mesma favela mas, como o clima acabou ficando hostil no local, ele precisou mudar de área. “Tivemos problemas com alguns marginais que tentaram nos assaltar naquele lugarâ€, diz.
O episódio fez com que o aposentado procurasse outros pontos para levar as doações. Bairros carentes e com bolsões de pobreza, como é o caso do Jardim Nicéia, acabaram sendo contemplados.
Tradição
O trabalho de Natal Segantin e sua esposa, Maria Fernandes Segantin, acabou se fixando na mente de muitos moradores da cidade. Tanto que, nos dois anos em que tentou cancelar a campanha, ele não conseguiu. “Eu tive um problema sério em família e resolvi parar por um tempoâ€, explica.
De acordo com ele, no ano 2000, próximo do Natal, sua nora faleceu. Como ela era o braço direito dele na campanha, a equipe de trabalho acabou ficando desestruturada. “Nós sofremos muito com a perda dela e ficamos sem condições de realizar a festaâ€, ressalta.
Naquele ano, ele decidiu não realizar a campanha de arrecadação de brinquedos. Mesmo assim, as doações começaram a chegar. “Muita gente já estava acostumada com o nosso trabalho e foi levar os presentes em casaâ€, salienta.
Por conta disso, Natal e a família acabaram levando os presentes até um acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST) que estava em Bauru.
No ano passado, ele também não iria fazer a campanha. “Eu estava morando junto com o meu filho viúvo e lá não tinha onde guardar os brinquedosâ€, salienta. No entanto, novamente as doações começaram a chegar e o aposentando não teve como escapar da tradição.
Ele salienta que recebeu poucos brinquedos e que, para não decepcionar as crianças dos bairros de Bauru, resolveu levar as doações para a zona rural de Cabrália Paulista. “Fomos até as proximidades de um sítio e distribuímos para as crianças de láâ€, explica.
A esposa, que todos os anos fazia o trabalho de apoio da campanha, diz que eles não têm mais pique para continuar com esse trabalho. No entanto, Natal Segantin quer retomar a atividade no próximo ano. â€œÉ muito emocionante ver a alegria das crianças ao receber os brinquedosâ€, salienta.