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Bauruense evita as longas viagens

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

O preço dos combustíveis aliado ao dos pedágios e ao medo dos congestionamentos nas rodovias que levam ao litoral, tem feito com que o interiorano mude seu comportamento no final do ano, trocando a praia pelo campo. Os aluguéis de chácaras e os pacotes em hotéis da região estão praticamente esgotados.

A locação de propriedades rurais, de modo geral, aqueceu o mercado imobiliário, confirma Benedito Vanderlei Jampaulo, proprietário de uma imobiliária da cidade. Segundo ele, as locações tiveram um aquecimento de 30% nestes últimos dois finais de ano. “Este ano tivemos uma procura muito grande. Houve falta de imóveis deste tipo para locação.”

Jampaulo confessa que na ânsia de atender o cliente, acabou esquecendo de fazer reserva para sua família e funcionários. “Eu queria fazer uma confraternização com os funcionários e não encontrei uma chácara para alugar.”

O sossego proporcionado pelas propriedades rurais é o atrativo, na opinião dele. “No final do ano, as pessoas estão estressadas e procurando lazer e sossego. Alugam uma chácara para ficar com a família. Procuram um local próximo da cidade onde moram para evitar os congestionamentos, o pagamento de pedágio e os gastos com combustíveis.”

A procura não foi só por locação, segundo o corretor. “Antes das eleições, muitos bauruenses adquiriram imóveis com medo do novo governo. Após a eleição, o mercado voltou ao normal. A aproximação do final do ano, aqueceu o mercado imobiliário novamente, especificamente por áreas rurais.”

Na opinião do proprietário de outra imobiliária, Daniel Moraes, não só as propriedades rurais estão atraindo a população nesta época do ano. “Locamos, no ano passado, uma casa em um condomínio de luxo. A casa tinha muitas opções de lazer. O dono faturou R$ 1.500,00 em quatro dias. Se a casa tivesse ficado fechada, ele não teria ganho nada”.

De acordo com ele, a procura por locação de propriedades rurais vem crescendo de dois anos para cá. â€œÉ mais econômico e menos cansativo para quem aluga. Há chácaras dentro da cidade. O preço, varia de R$ 200,00 a R$ 650,00 a diária. Depende da estrutura. A locação de imóveis rurais se tornou um negócio lucrativo,” conclui.

Driblando as despesas

Para o proprietário de uma chácara na região de Bauru, Paulo Roberto Bello, a locação do imóvel não é um negócio lucrativo, mas uma opção para driblar as despesas que uma chácara acarreta para o dono.

Para o Natal e Ano Novo, a chácara dele já tem hóspedes. “Aluguei em agosto. A diária cobrada foi de R$ 200,00.”

Ele explica que a chácara tem quatro dormitórios, salão de festas, piscina e está toda mobiliada. “Prefiro alugar para família, embora nunca tenha tido problemas com festas de confraternização.”

Dezembro todo alugado

Jaime Pinheiro Chagas, dono de uma chácara muito próximo de Bauru, está festejando o final do ano. Em dezembro, ele conseguiu locar a chácara todos os dias. “Só tenho vaga para janeiro.”

Ele admite que o final do ano é uma oportunidade de faturar um pouco mais. “Em dias normais, o preço é de R$ 150,00. No final do ano, a diária é de R$ 200,00.”

O preço pode variar se o locatário for ficar por muitos dias. “A procura tem sido grande. Desde agosto que a chácara está alugada para o final do ano.”

Ele diz que nunca levou calote e as despesas com os estragos são mínimas. “Geralmente, são as famílias que alugam. Se quebram alguma coisa, é mínimo. Eu entrego a casa limpa. O locatário tem que levar só roupa de cama, mesa e banho.”

Pesca e lazer

Solange Claus, proprietária de um imóvel a 50 quilômetros de Bauru, oferece seu imóvel para quem gosta do lazer urbano e rural. “Além da piscina, casa com suite, salão de jogos, a chácara tem estaleiro para pesca e passeio de barco, além de fogão caipira para quem curte a arte de cozinhar.”

A propriedade ainda não está alugada para a festa de Reveillon. “Alugamos para o Natal, mas para o Ano Novo não.” Ela prefere locar para famílias. “Nunca tivemos problemas com a moçada, mas sei que eles gostam de ouvir som alto e pode incomodar os vizinhos, por isso damos preferência para grupos familiares.”

Na opinião dela, o aluguel de chácaras ainda não é um negócio lucrativo. “Cobre as despesas e isso livra da gente ter que tirar dinheiro do orçamento. Mas não chega a dar lucro”, confessa.

Casa na praia

Apesar da mudança de comportamento do interiorano, a locação de casas na praia, continua em alta, segundo Carlos Kong, que tem dois sobrados em Peruíbe, litoral Sul. “Este ano está mais fácil de alugar. O sobrado para oito pessoas está com uma diária de R$ 150,00. O maior, para 13 pessoas, R$ 200,00 o dia.”

Os sobrados, segundo ele, ficam a 25 metros da praia. “Em períodos normais, o preço é de R$ 100 a R$ 150,00 a diária. No final do ano, a procura cresce e o preço aumenta.”

Busca por prazeres da vida rural

O hotel pousada Villa Bariri é uma opção para quem quer curtir os prazeres da vida rural e ao mesmo tempo contar com o conforto da vida urbana, há cerca de 50 quilômetros de Bauru, garante José Angel Blanco, conhecido por “Pepe”, gerente comercial. “Os hóspedes em sua maioria chegam da Capital. Aqui eles têm conforto, segurança e a oportunidade para que as crianças curtam a vida rural. Eles podem até tirar o leite da vaca.”

Ele explica que o hotel tem 90 mil metros de área verde, casas e apartamentos com ar-condicionado, televisão, frigobar. “Além de salas de jogos, ginástica, musculação, trilhas, sauna, piscinas, campo de futebol, bicicletas, cavalos, pesqueiro no rio e lago etc.”

Para o Reveillon, o hotel pousada preparou dois bailes, ceia e queima de fogos. “O hóspede entra na sexta-feira e sai na quarta, com café da manhã, almoço e jantar. O preço é de R$ 600,00 por pessoa.”

O gerente comercial enfatiza que o empreendimento vem conquistando a clientela, ano a ano. “A procura está maior este ano, por conta da propaganda boca-a-boca. Quem passou o final de ano no hotel no ano passado, está voltando com amigos. Há hóspedes que indicaram para os amigos.”

Pepe ressalta que a pousada passou por reformas. “Reformamos as unidades mais antigas. Instalamos o toboágua para as crianças. A procura foi tanta que não conseguimos atender a todos que nos procuraram. Estamos com uma lista de espera.”

Na opinião dele, o interiorano está fugindo das dificuldades dos passeios ao litoral. “Ninguém mais quer passar oito horas em um congestionamento e nem enfrentar os bandidos nas cidades praianas. Aqui tem sossego, lazer e segurança.”

Sem estresse

Todos os anos, a família do empresário, Marcelo Nunes Garcia se reúne no Ano Novo. O local preferido é a praia. Nos últimos dois anos, Riviera de São Lourenço, litoral Norte, foi o escolhido. “O conforto e a segurança é que nos atraem.”

Para fugir do estresse dos congestionamentos do trânsito, o empresário opta por começar o descanso no dia 26. “Vou antes para evitar ficar na estrada por muitas horas. Volto no dia 5 de janeiro, quando grande parte do pessoal já retornou.”

Embora considere o preço da diária caro, ele acha que vale a pena. “Achei o preço desse ano bastante caro, mas mesmo assim creio que vale a pena. É a confraternização da família. Fazemos isso uma vez por ano.”

Sem badalações

A família Vaz vai esperar o 2003 com muita tranqüilidade, longe das badalações das praias, explica a matriarca Maria de Lourdes Zorzella Vaz, conhecida por “Dude”. â€œÉ a primeira vez que optamos por um hotel.”

Ela garante que optou pelo hotel para ter um final de ano diferente. “Meus filhos sempre iam para a praia no Ano Novo. Eu acho que praia é muita badalação. Queremos sossego. Praia só fora de temporada.”

A viagem para Águas de Santa Bárbara foi escolhida pelo casal. “Presenteamos nossos dois filhos, duas noras e dois netos com o passeio. É uma oportunidade de ficar juntos. Outros presentes estão sob a árvore de Natal.”

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