O preço dos combustíveis aliado ao dos pedágios e ao medo dos congestionamentos nas rodovias que levam ao litoral, tem feito com que o interiorano mude seu comportamento no final do ano, trocando a praia pelo campo. Os aluguéis de chácaras e os pacotes em hotéis da região estão praticamente esgotados.
A locação de propriedades rurais, de modo geral, aqueceu o mercado imobiliário, confirma Benedito Vanderlei Jampaulo, proprietário de uma imobiliária da cidade. Segundo ele, as locações tiveram um aquecimento de 30% nestes últimos dois finais de ano. “Este ano tivemos uma procura muito grande. Houve falta de imóveis deste tipo para locação.â€
Jampaulo confessa que na ânsia de atender o cliente, acabou esquecendo de fazer reserva para sua família e funcionários. “Eu queria fazer uma confraternização com os funcionários e não encontrei uma chácara para alugar.â€
O sossego proporcionado pelas propriedades rurais é o atrativo, na opinião dele. “No final do ano, as pessoas estão estressadas e procurando lazer e sossego. Alugam uma chácara para ficar com a família. Procuram um local próximo da cidade onde moram para evitar os congestionamentos, o pagamento de pedágio e os gastos com combustíveis.â€
A procura não foi só por locação, segundo o corretor. “Antes das eleições, muitos bauruenses adquiriram imóveis com medo do novo governo. Após a eleição, o mercado voltou ao normal. A aproximação do final do ano, aqueceu o mercado imobiliário novamente, especificamente por áreas rurais.â€
Na opinião do proprietário de outra imobiliária, Daniel Moraes, não só as propriedades rurais estão atraindo a população nesta época do ano. “Locamos, no ano passado, uma casa em um condomínio de luxo. A casa tinha muitas opções de lazer. O dono faturou R$ 1.500,00 em quatro dias. Se a casa tivesse ficado fechada, ele não teria ganho nadaâ€.
De acordo com ele, a procura por locação de propriedades rurais vem crescendo de dois anos para cá. â€œÉ mais econômico e menos cansativo para quem aluga. Há chácaras dentro da cidade. O preço, varia de R$ 200,00 a R$ 650,00 a diária. Depende da estrutura. A locação de imóveis rurais se tornou um negócio lucrativo,†conclui.
Driblando as despesas
Para o proprietário de uma chácara na região de Bauru, Paulo Roberto Bello, a locação do imóvel não é um negócio lucrativo, mas uma opção para driblar as despesas que uma chácara acarreta para o dono.
Para o Natal e Ano Novo, a chácara dele já tem hóspedes. “Aluguei em agosto. A diária cobrada foi de R$ 200,00.â€
Ele explica que a chácara tem quatro dormitórios, salão de festas, piscina e está toda mobiliada. “Prefiro alugar para família, embora nunca tenha tido problemas com festas de confraternização.â€
Dezembro todo alugado
Jaime Pinheiro Chagas, dono de uma chácara muito próximo de Bauru, está festejando o final do ano. Em dezembro, ele conseguiu locar a chácara todos os dias. “Só tenho vaga para janeiro.â€
Ele admite que o final do ano é uma oportunidade de faturar um pouco mais. “Em dias normais, o preço é de R$ 150,00. No final do ano, a diária é de R$ 200,00.â€
O preço pode variar se o locatário for ficar por muitos dias. “A procura tem sido grande. Desde agosto que a chácara está alugada para o final do ano.â€
Ele diz que nunca levou calote e as despesas com os estragos são mínimas. “Geralmente, são as famílias que alugam. Se quebram alguma coisa, é mínimo. Eu entrego a casa limpa. O locatário tem que levar só roupa de cama, mesa e banho.â€
Pesca e lazer
Solange Claus, proprietária de um imóvel a 50 quilômetros de Bauru, oferece seu imóvel para quem gosta do lazer urbano e rural. “Além da piscina, casa com suite, salão de jogos, a chácara tem estaleiro para pesca e passeio de barco, além de fogão caipira para quem curte a arte de cozinhar.â€
A propriedade ainda não está alugada para a festa de Reveillon. “Alugamos para o Natal, mas para o Ano Novo não.†Ela prefere locar para famílias. “Nunca tivemos problemas com a moçada, mas sei que eles gostam de ouvir som alto e pode incomodar os vizinhos, por isso damos preferência para grupos familiares.â€
Na opinião dela, o aluguel de chácaras ainda não é um negócio lucrativo. “Cobre as despesas e isso livra da gente ter que tirar dinheiro do orçamento. Mas não chega a dar lucroâ€, confessa.
Casa na praia
Apesar da mudança de comportamento do interiorano, a locação de casas na praia, continua em alta, segundo Carlos Kong, que tem dois sobrados em Peruíbe, litoral Sul. “Este ano está mais fácil de alugar. O sobrado para oito pessoas está com uma diária de R$ 150,00. O maior, para 13 pessoas, R$ 200,00 o dia.â€
Os sobrados, segundo ele, ficam a 25 metros da praia. “Em períodos normais, o preço é de R$ 100 a R$ 150,00 a diária. No final do ano, a procura cresce e o preço aumenta.â€
Busca por prazeres da vida rural
O hotel pousada Villa Bariri é uma opção para quem quer curtir os prazeres da vida rural e ao mesmo tempo contar com o conforto da vida urbana, há cerca de 50 quilômetros de Bauru, garante José Angel Blanco, conhecido por “Pepeâ€, gerente comercial. “Os hóspedes em sua maioria chegam da Capital. Aqui eles têm conforto, segurança e a oportunidade para que as crianças curtam a vida rural. Eles podem até tirar o leite da vaca.â€
Ele explica que o hotel tem 90 mil metros de área verde, casas e apartamentos com ar-condicionado, televisão, frigobar. “Além de salas de jogos, ginástica, musculação, trilhas, sauna, piscinas, campo de futebol, bicicletas, cavalos, pesqueiro no rio e lago etc.â€
Para o Reveillon, o hotel pousada preparou dois bailes, ceia e queima de fogos. “O hóspede entra na sexta-feira e sai na quarta, com café da manhã, almoço e jantar. O preço é de R$ 600,00 por pessoa.â€
O gerente comercial enfatiza que o empreendimento vem conquistando a clientela, ano a ano. “A procura está maior este ano, por conta da propaganda boca-a-boca. Quem passou o final de ano no hotel no ano passado, está voltando com amigos. Há hóspedes que indicaram para os amigos.â€
Pepe ressalta que a pousada passou por reformas. “Reformamos as unidades mais antigas. Instalamos o toboágua para as crianças. A procura foi tanta que não conseguimos atender a todos que nos procuraram. Estamos com uma lista de espera.â€
Na opinião dele, o interiorano está fugindo das dificuldades dos passeios ao litoral. “Ninguém mais quer passar oito horas em um congestionamento e nem enfrentar os bandidos nas cidades praianas. Aqui tem sossego, lazer e segurança.â€
Sem estresse
Todos os anos, a família do empresário, Marcelo Nunes Garcia se reúne no Ano Novo. O local preferido é a praia. Nos últimos dois anos, Riviera de São Lourenço, litoral Norte, foi o escolhido. “O conforto e a segurança é que nos atraem.â€
Para fugir do estresse dos congestionamentos do trânsito, o empresário opta por começar o descanso no dia 26. “Vou antes para evitar ficar na estrada por muitas horas. Volto no dia 5 de janeiro, quando grande parte do pessoal já retornou.â€
Embora considere o preço da diária caro, ele acha que vale a pena. “Achei o preço desse ano bastante caro, mas mesmo assim creio que vale a pena. É a confraternização da família. Fazemos isso uma vez por ano.â€
Sem badalações
A família Vaz vai esperar o 2003 com muita tranqüilidade, longe das badalações das praias, explica a matriarca Maria de Lourdes Zorzella Vaz, conhecida por “Dudeâ€. â€œÉ a primeira vez que optamos por um hotel.â€
Ela garante que optou pelo hotel para ter um final de ano diferente. “Meus filhos sempre iam para a praia no Ano Novo. Eu acho que praia é muita badalação. Queremos sossego. Praia só fora de temporada.â€
A viagem para Águas de Santa Bárbara foi escolhida pelo casal. “Presenteamos nossos dois filhos, duas noras e dois netos com o passeio. É uma oportunidade de ficar juntos. Outros presentes estão sob a árvore de Natal.â€