Vamos aqui tecer alguns comentários à sentença que foi ditada por Pôncio Pilatos e lavrada por Anás, no ano XIX de Tibério Cesar, imperador romano que condenou Jesus. Nesse julgamento imperava uma justiça degenerada, dominada pela política, escrava de César e um verdadeiro joguete das multidões. Quando o dever se ausenta, falta, na consciência dos magistrados, de nada valem os tribunais. Naquela época, as tradições hebraicas davam ao papel da magistratura a noção de divindade, o que não impediu a prevaricação dos magistrados. Tudo que se fez desde a prisão de Jesus, uma hora antes da meia-noite de quinta-feira, até o amanhecer de sexta-feira foi ilegal, extrajudicial e ofensivo aos preceitos hebraicos. Quando foi inquirido perante o simedrin, esse ato apresentou alguma legalidade porque foi praticado durante o dia. Anás transgride as regras de inquirir e Jesus diz: “Tenho falado publicamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo, a que afluem todos os judeus, e nunca disse nada às ocultas. Por que me interrogas? Inquire dos que ouviam o que lhes falei. Esses sabem o que eu lhes houver dito.†As instituições hebraicas não admitiam tribunais e muito menos testemunhas singulares. Jesus tinha direito ao julgamento coletivo e com a inexistência de pluralidade no julgamento não poderia haver condenação. “Se mal falei, traze o testemunho do mal, se bem, por que me bates?†As falhas foram muitas nesse julgamento. Um julgamento noturno que o direito judaico não admitia, o escândalo das testemunhas falsas compradas pelos juízes, verdadeiros algozes togados. A depravada justiça da época queria de qualquer forma a morte de Jesus. Pilatos envia Jesus a Herodes. Eram inimigos e tornaram-se amigos. Herodes não encontra meios para condenar Jesus e o devolve a Pilatos. Pilatos defende Jesus quando pergunta: “Que mal fez ele?†Pilatos, o escravo de César, se apavora e lavando as mãos na presença do povo diz: “Sou inocente do sangue deste justo†e entrega Jesus aos crucificadores. Essa foi a justiça covarde, corrompida que julgou e condenou Jesus. Jesus, o filho de Deus, veio ao mundo para nos salvar, ensinar que devemos amar o próximo. Jesus era bondade, era amor. Lamentavelmente foi julgado de maneira irregular, corrompida por aqueles que ele veio salvar. Milhares, milhões de anos se passarão e Jesus Cristo, filho de Deus, nosso pai, será eternamente lembrado e amado por todos que neste nosso mundo nascerem. (Blasco Peres Rego - OAB 17461)
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