Uma mesa modular de linhas retas, cores básicas e com movimento garantiu o segundo lugar num concurso de design para a estudante Joceline Gonçalves Fernandes de Castro, que concluiu o terceiro ano do curso de desenho industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Após quase cinco meses de expectativa e trabalho, o anúncio da premiação saiu dia no dia 26 do mês passado.
Como recompensa, ela recebeu da empresa moveleira Masisa, de Curitiba, que promoveu o concurso, uma medalha e uma viagem para o Salão do Móvel, em Milão, Itália.
“Eu morria de vontade de ir para lá porque adoro o design italiano. O salão é o evento mais interessante e mais importante para quem quer seguir carreira nesta área. Quero trabalhar com móvel e vi no concurso uma oportunidadeâ€, conta.
Para conquistar o prêmio, Joceline desbancou outros 133 estudantes da região Sul do País e do Estado de São Paulo. Seu trabalho está exposto no Novo Museo, a mais moderna obra do arquiteto Oscar Niemeyer, recentemente inaugurada em Curitiba.
“Participei do concurso pensando em ganhar, mas quando cheguei lá e vi os outros trabalhos, achei que não seria possível. Estava cansada da minha mesinha. No dia do prêmio, chamaram 12 classificados para que seis jurados indicassem três vencedores. A avaliação durou três horas, que para mim pareceram três diasâ€, recorda.
Conceito
Já para definir a idéia do produto, ela levou uma semana. Nesse período, chegou a fazer pesquisas em revistas, mas não encontrou nada parecido com sua proposta. Segundo a universitária, o objetivo era fazer algo diferente, que pudesse se adaptar em ambientes pequenos e que tivesse mobilidade.
Com o desenho técnico em mãos, ela foi até Arapongas, no Paraná, custeada pela Masisa, para acompanhar a produção da mesa na indústria Caemmun. “Fiquei três dias lá acompanhando um profissional que construiu o móvel. Fazia parte do projeto trabalhar numa empresa. A mesa foi desenvolvida com material indicado pela Masisaâ€, diz.
Para participar do concurso, os alunos deveriam enviar idéias que pudessem ser industrializadas em série. A mesa-piano, como foi denominada, por exemplo, tem 40 centímetros de altura e de largura e 60 centímetros de comprimento. Ela é adaptável devido ao módulo central que se movimenta e pode ser utilizada para colocar revistas e livros.
“Ela foi pintada com as cores branca e preta porque são básicas, respeitam a tendência contemporânea e eu gostoâ€, finaliza.
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Incentivo
Incentivar os futuros profissionais de design a trabalhar na área moveleira e estimular a formação do aluno. Esses são os objetivos da Masisa do Brasil Ltda, que promoveu neste ano seu primeiro concurso para estudantes. No Chile, ele é realizado há dez anos.
De acordo com o diretor de marketing da empresa, Andrés Armstrong, a idéia também visava indicar à indústria novos talentos que possam trazer propostas inovadoras ao segmento.
“A experiência superou as expectativas, porque não esperávamos receber 134 inscrições. Só há cinco anos o Brasil passou a contar com profissionais nesta área, o que demonstra crescimento nacionalâ€, explica.
Armstrong garante ter gostado pessoalmente do projeto de Bauru porque ele é simples, fácil de fazer e conta com a inovação do movimento. O conceito utilizado pela aluna Joceline Gonçalves Fernandes de Castro também agradou à professora Paula da Cruz Landin, responsável pela disciplina de conteúdo mobiliário da Unesp, e que assinou o projeto encaminhado a Curitiba.
“A gente sempre indica as tendências contemporâneas. Atualmente, existe uma disposição para móveis versáteis, com traços limpos, cores claras e feitos através de material reciclável, como o realizado neste concursoâ€, conclui.
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Pelo menos 20 alunos são premiados
Pelo menos 20 alunos do curso de desenho industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp) foram premiados nos últimos cinco anos. O desempenho dos universitários reflete o próprio mercado, que renasceu após a abertura do mercado nacional.
É assim que pensa o professor de metodologia do projeto, Osmar Vicente Rodrigues. Segundo ele, até recentemente o Brasil apenas importava tendências estrangeiras. “Com a abertura do mercado, realizada em 1990, tivemos que concorrer com projetos de fora e buscar espaço no Exterior. Com isso, surgiu o design nacional, o nosso estiloâ€, conta.
Rodrigues ressalta que a partir de então, profissionais brasileiros passaram a identificar necessidades próprias e materiais nacionais interessantes, como é o caso do cipó. “Como temos de cumprir metas de exportação, o segmento deve crescer ainda mais porque o governo está investindo em produtos agregados com esta finalidade. Hoje, o apelo ecológico é uma inclinação mundial†ressalta.
Concorda com ele a professora de mobiliário da universidade, Paula da Cruz Landin, que defende a utilização do material reciclável. Contudo, ela discorda que o País esteja desenvolvendo um traço característico. “As tendências são globalizadas; as nacionais se tornaram caricatasâ€, destaca.
Ela e Osmar contaram pelo menos 20 premiações de alunos nos últimos cinco anos. Um dos projetos que chamou sua atenção foi uma gaveteira de roupa, que ganhou um concurso no Rio Grande do Sul. “Ela era cestavada e abria dos dois lados. Também achei interessante uma mesa retangular feita de tecido. Nos dois projetos, novos materiais foram procuradosâ€, lembra.
Já Osmar destacou um carro multifuncional, que participou de um concurso da Wolksvagen. Através dele seria possível transportar pessoas, cargas pequenas e se utilizar de outro tipo de transporte, como o trem. “Essa idéia foi uma das finalistas, mas não foi premiada. Também achei interessante um projeto de picape, que fundia características das grandes e das pequenasâ€, conclui.