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Na pele dos instrutores

MArcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Como se não bastasse a responsabilidade de ensinar candidatos a transformarem-se em futuros motoristas, os instrutores das auto-escolas também acumulam uma outra igualmente importante: “domar” o nervosismo e o medo dos que estão aprendendo a dirigir.

Segundo o proprietário da auto-escola Staca, Silas Correia de Mello, no primeiro dia de aula de todo aluno o instrutor tem de atuar como um psicólogo. “Observamos as reações e nos adaptamos a eles”, explica. Do alto de seus 20 anos de experiência também como instrutor, ele conta já ter visto uma infinidade de reações provocadas pelo medo de guiar um veículo.

As mais comuns, conforme Silas, são a transpiração excessiva, o emudecimento e uma tensão extrema capaz de limitar o movimento das pessoas. “Algumas chegam até a chorar”, ressalta.

Entretanto, um caso que ele não esquece ocorreu, há alguns anos, com uma mulher com cerca de 35 anos que conseguiu tirar a carta somente depois de oito exames. “Até quando eu contei, ela já havia feito 100 aulas, mas por ironia do destino, ela foi aprovada por um perito que tinha a fama de ser um dos mais rigorosos de Bauru na época”, enfatiza Silas. â€œÉ que ela tinha trauma em razão de um acidente”, acrescenta.

Osni Daniel, outro experiente instrutor - atua há 26 anos na área - da mesma auto-escola, salienta que a primeira aula, principalmente daqueles que nunca dirigiram um automóvel, é sempre uma experiência cercada de pavor. “Nos primeiros dez minutos, eles ficam completamente tomados pelo nervosismo. Mas até se sentirem mais seguros demora um pouco”, frisa.

A exemplo de Silas, Osni também já teve alunos que demoraram dezenas de aulas para serem aprovados. “Já peguei muitos que precisaram de 70, 80 e até 90 instruções para habilitarem-se”, destaca. “Mas isso ocorria muito, há cerca de dez anos, com pessoas de mais idade. Atualmente, é raridade ter idosos aprendendo a dirigir”, complementa ele.

Por isso, segundo Silas, é imprescindível seguir algumas recomendações na hora de contratar os serviços de uma auto-escola para aprender a guiar. “As pessoas não devem basear-se apenas pelo preço para habilitar-se. É importante conversar com o dono das empresas para saber o nível dos instrutores e o índice de aprovação dos candidatos, que é fornecido semanalmente às auto-escolas pela Ciretran”, adverte.

Seguindo o mesmo raciocínio de Silas, Osni enfatiza, ainda, que poucos dirigem-se às auto-escolas com reais intenções de aprender a dirigir e tornar-se um motorista consciente. “Ninguém nos procura questionando o nível de formação dos instrutores ou se a auto-escola é credenciada pelo Detran. A maioria quer saber apenas da carta, devido principalmente às necessidades profissionais”, pondera ele.

Diante da argumentação de Osni, Silas acrescenta que a conscientização para este fato depende dos pais, especialmente dos jovens. Além disso, ele dá a receita para superar os medos ao volante. “Dirigir é uma questão de prática. Basta acreditar que é capaz de conseguir, pois, às vezes, as próprias pessoas criam obstáculos e já chegam com medo à auto-escola”, conclui o proprietário.

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