Tribuna do Leitor

A revolução de 1932


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Todos os grandes eventos, todas as grandes figuras da História são sempre alvos de boatos. Elvis Presley, James Dean não teriam morrido. Até Jesus Cristo, que indicava João como seu discípulo amado, foi alvo de interpretação maliciosa.

Isso porque quando alguém nada de importante tem a dizer, ainda consegue a luz dos refletores com os recursos do plágio ou da negação da História.

Nessas fileiras, dos franco-atiradores contra as grandes epopéias, figura o professor de História Maximiliano Martin Vicente, que, em pleno 70.º aniversário do evento, pretende obter a implosão plena e absoluta da Revolução Constitucionalista de 32.

Ao contrário do que afirma Vicente - em ocasião única da História pátria - não foram apenas os operários que se dirigiram às frentes de combate. Pessoas de todas as idades - até crianças -, sexos, classes sociais, categorias se engajaram no heróico movimento. Bastará que Vicente vá perguntar a qualquer pessoa que tenha idade para se recordar da revolução.

Em menos de um mês, todos os soldados estavam armados, uniformizados e, na medida do possível, treinados para as batalhas. Em igual prazo foi construído um ramal ferroviário ligando o mercado municipal à estação de trem, visando suprir os voluntários de alimentos e de munição. Esta é a verdade: crianças, professores e funcionários da Justiça tiveram que ser proibidos de engajamento, não impedindo a medida de que muitos o fizessem à revelia.

É por isso que o povo destinou aos heróis de 32 o maravilhoso Mausoléu do Ibirapuera, onde repousam os heróis que tombaram em combate e os combatentes que faleceram nos últimos 70 anos.

Em reconhecimento público, também temos o Palácio 9 de Julho, ruas, avenidas, prédios públicos e até o feriado, homenagens que centenas de cidades prestam a seus heróis. Falar dessa grande epopéia é absolutamente desnecessário! Cada cidade, Bauru significativamente incluída, cada família paulista, terá transmitido a seus descendentes os feitos de seus heróicos voluntários.

Pretende Vicente que as comemorações tenham sido reinventadas pelo falecido governador Covas (por favor, professor, um pouco de pesquisa, elas vêm acontecendo, sistematicamente, todos os anos). Daqui a pouco vão dizer que os congestionamentos das esquinas de São Paulo são provocados pelos ambulantes que deles tiram seus sustentos! Mas, na entrevista que concedeu ao Jornal da Cidade de Bauru, vai muito mais longe Vicente em suas contradições.

Reconhece que “Vargas não cumpre o acordo... trai”, que o ditador “quer a submissão política”. Que seu ingresso no poder “não foi uma revolução. Foi um golpe”, que o objetivo dos paulistas foi “um movimento de intelectuais” que visava “um projeto de desenvolvimento nacional” e que, vencendo pelas armas, “Vargas cede e elabora uma constituição em 1934”.

Mas, amante do paradoxo, esse micróbio que seduziu tantos intelectuais, chega o professor a este surpreendente anti-corolário: “A revolução foi uma derrota paulista.” Vicente tem toda a prerrogativa de guardar para si, por mais esdrúxula que seja, sua própria opinião! Mas, sendo um professor de História, não lhe cabe o mesmo direito.

Não é possível a um veterinário - menos ainda a um historiador - examinar um cachorro baseado na oscilação de seu rabo. Nem ignorar os dados comezinhos inseridos na História.

As únicas figuras citadas nominalmente em sua entrevista, Vicente condena o movimento, como elitista, porque, em vez de operários, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (que resultaram na sigla MMDC) eram “estudantes do Largo de São Francisco”. E, com essas afirmações anti-históricas que passa a seus alunos, joga sua tese no lixo. Anote, professor, em suas apostilas: os quatro mortos eram populares, nenhum deles era estudante de Direito.

Ainda a acrescentar que o menino Dráusio, o único dos quatro a sobreviver ao tiroteio do dia 23 de maio, na Praça da República, acabou morrendo dias após e, como tinha alguma noção da História do País, transmitiu à mãe que chorava sua agonia, repetindo Tiradentes em sua essência: “Se 1.000 vidas eu tivesse, 1.000 vidas eu daria.” E deixou a vida, aos 14 anos, sem nunca ter ingressado na faculdade, sem pertencer à elite e sentindo-se um herói, o que agora vem de ser desmentido pelo professor Vicente. É muito grave que Vicente venha à imprensa e que se dedique a impregnar seus alunos de informações anti-históricas!

De toda sua entrevista, resta válido o conselho que o professor Vicente diz tradicionalmente passar a seus alunos! “Você tem de ser crítico em qualquer circunstância. Um dia você vai ser cobrado pelo que faz hoje.” Uma sugestão aos alunos do professor Vicente: Por que não cobrá-lo em sua próxima aula? (Luiz Sérgio Carraro - membro do Conselho Supremo da Sociedade Veteranos de 32 - MMDC).

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