Bairros

Água vai aumentar até 45% em 2003

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A tarifa de água em Bauru estará mais cara, em média, 24,51% a partir de amanhã. O índice de reajuste, que será aplicado em duas etapas, foi anunciado pela diretoria do Departamento de Água e Esgoto (DAE) ontem à tarde. Os consumidores residenciais são os que sofrerão maior impacto, pois vão arcar com 30% de reajuste agora em janeiro e mais 15% a partir de 1 de abril, totalizando 45% de majoração.

Já consumidores comerciais, industriais e públicos sofrerão reajuste de tarifa de 15% amanhã e 10% em abril (veja quadro). O presidente do DAE, Luiz Augusto de Castro, afirma que seria impossível realizar os investimentos necessários, como a primeira etapa da reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA), sem o aumento.

Ele explica que os principais insumos para a produção e tratamento da água, como energia elétrica, combustível e produtos químicos, foram reajustados, o que causou uma defasagem na tarifa. “Nós pedimos um reajuste que achávamos o ideal para as contas do DAE, mas o prefeito (Nilson Costa), preocupado com a situação econômica de todos, relutou e autorizou um índice que ele considerou suportável”, diz.

Com o aumento, a tarifa média residencial do DAE, que hoje é de R$ 19,80, passará para R$ 28,88. O último reajuste da tarifa de água foi de 26%, aplicado em fevereiro deste ano, segundo a assessoria de imprensa da autarquia.

Para amenizar um pouco o impacto do reajuste, o prefeito solicitou a aplicação do índice dividido em duas etapas. “Estávamos conversando com o prefeito sobre o reajuste desde novembro, mas só ontem (domingo) chegamos a um denominador comum. Mesmo com o aumento, a tarifa de água de Bauru continua sendo uma das mais baratas da região”, frisa Castro.

O aumento será diferenciado, de acordo com Castro, porque a tarifa paga pelos consumidores residenciais é a mais defasada e há tempos precisava ser reajustada. “Os consumidores residenciais estão pagando R$ 0,55 pelo metro cúbico de água que custa R$ 1,25 para o DAE”, afirma.

Fábio Passanezi Pegoraro, diretor da Divisão Financeira do DAE, ao explicar a base usada para calcular o índice de reajuste da água e a receita e despesa da autarquia, frisa que os consumidores residenciais estão sendo subsidiados pelas demais categorias. “Os consumidores residenciais representam 86,62% do total de clientes do DAE, mas respondem por apenas 61,14% da arrecadação”, diz.

Após os dois reajustes (de janeiro e de abril), os consumidores residenciais passarão a pagar R$ 0,99 por metro cúbico de água, valor ainda inferior ao custo de produção do DAE.

Adeciba

A Associação de Defesa da Cidadania de Bauru (Adeciba) considerou alto o índice de reajuste da tarifa de água anunciado ontem. Ivan Garcia Goffi, advogado da entidade, diz que vai analisar os insumos usados como base para definição do índice.

“Se houver justificativa para esse aumento, vamos tentar uma pressão política para reduzi-lo. Se não houver, poderemos fazer uma representação ao Ministério Público”, afirma Goffi. Para ele, o DAE precisaria reduzir a folha de pagamento, através de cortes de assessores de diretoria, para ajudar na redução de custos da autarquia.

Independente do cálculo, ele entende que o índice de reajuste é muito alto. “Qual categoria profissional teve aumento de 30%?”, questiona. “Se houver justificativa plausível para esse aumento, ainda questiono o impacto que terá no orçamento da população. Acho que deveria ser aplicado escalonado em mais vezes”, frisa.

Goffi lembra, também, que o aumento da tarifa dos consumidores industriais e comerciais provavelmente será repassado. “O aumento sempre é repassado, nunca absorvido. Vamos ter mais problemas sociais à frente”, diz.

Comentários

Comentários