Pesca & Lazer

Pescaria à noite fascina

Da Redação
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Acredita-se que com a chegada da escuridão, os peixes diminuem a sua atividade, o que de fato ocorre com algumas espécies, pois eles também descansam. Mas acreditar que a paralisação é total, é prova de desconhecimento das espécies, pois nesse período, muitas mantêm-se em busca de alimento, principalmente os peixes noturnos que intensificam sua atividade nesse horário.

Com maior incidência dos peixes de couro, o pescador que deseja descobrir os prazeres que a pescaria noturna proporciona deve preparar-se também para as espécies de escamas.

Momentos mágicos

Embora a pesca praticada durante o dia tenha um maior número de ações, à noite estão presentes um dos principais elementos que a pescaria possui, que é a magia dos momentos de comunhão com a natureza.

O pescador sente-se integrante do universo ao ver a lua surgindo, iluminando a mata e as águas, o silêncio quase completo que o envolve, a visão das estrelas, o piar dos curiangos, sem contar com o aprimoramento de sua visão. Pois com a dilatação das pupilas, amplia-se a percepção mais à noite do que durante o dia. E é muito interessante descobrir com os olhos os inúmeros efeitos que acontecem na mata.

Se essa atmosfera for completada por um cardume ativo, melhor ainda, pois assim a comunhão estará completa.

Preparo e cuidado

Pescar à noite significa estar num ambiente diferente, com características diferentes e com procedimentos diferentes. Quem desejar pescar na noite deverá, obrigatoriamente, conhecer bem o local da pesca. Tarefa que deve ser feita durante o dia. Ele também deve determinar os limites de atuação e eliminar as possibilidades de acidentes.

Deverá ter um lampião a gás ou uma boa lanterna, pois fazer fogueiras na mata, além de proibido por lei, pode trazer sérios aborrecimentos e conseqüências trágicas como uma queimada, por exemplo (leia mais nesta página).

Observando o local durante o dia, é prudente eliminar as moitas que podem servir de abrigo para animais peçonhentos como cobras e escorpiões. Lembre-se de que à noite cai sereno, por isso o uso de chapéus ou bonés é recomendado para livrar o pescador dessas precipitações. Caso contrário, no dia seguinte você sentirá os efeitos do sereno, muito provavelmente adquirindo um resfriado ou uma bela dor de cabeça.

O uso de botas é necessário, principalmente para evitar o risco de picadas de cobras, afinal, é o momento em que elas saem à caça de ratos e sapos, comuns à noite.

O pescador está mais vulnerável ao ataque de jararacas quando está rente ao barranco e quanto está em pedreiras, poderá encontrar uma cascavel. Por isso, ao determinar o ponto onde deseja ficar, reduza as possibilidades de uma desagradável presença e indesejável surpresa.

Os peixes da noite

Os peixes de couro são os mais ativos durante a noite. Apesar disso, é possível buscar peixes de escamas como os piauçus, pacus, matrinxãs e curimbatás. Raramente um dourado fisgará à noite, embora em pescaria tudo é possível. Essas espécies estarão mais ativas na noite se forem corretamente cevadas.

A vantagem em relação ao dia é que virão mais perto do barranco, o que demonstra que a ceva foi feita corretamente.

Algumas táticas

Para ter mais sucesso na pescaria noturna, o pescador deve tomar alguns cuidados, pois os peixes, ao perderem a noção de profundidade devido à escuridão, mudam de certo modo o seu comportamento.

Os piauçus, por exemplo, serão melhor fisgados quase rente à superfície e sempre junto ao barranco ou tranqueiras. O mesmo dá-se com os lambaris, que são pegos um palmo abaixo da superfície. Os curimbatás devem ser procurados em poços ainda mais parados, e com a isca “na vertical”, pois se ela estiver estendida no chão raramente irão atacá-la.

Para os pacus é interessante usar as iscas feitas com grãos de milho, previamente cozido e amaciado, já que o uso de massas ou queijo fará o banquete das piranhas, principalmente durante as luas cheia e minguante.

Quem já pescou corvinas à noite descobriu que esta espécie “sobe” do fundo do rio, situando-se entre um e quatro metros abaixo da superfície.

Quanto mais tarde, mais sobe. Na alta madrugada é comum pescá-las na flor d’água. Uma das explicações para tantas mudanças dessa espécie é que, na superfície, encontram as incontáveis mariposas e outros insetos que caem na água.

Agora é pescar

Quem nunca pescou durante a noite deve experimentar. Quem já o faz, pode variar as iscas, utilizando desde a minhoca até o fígado e a sardinha. Para os peixes predadores, pequenos lambaris e pitus fazem a diferença.

Agora a pescaria depende de você, por isso, tenha cuidado e descubra o prazer que a natureza reserva no segundo tempo de um dia. As águas turvas favorecem ainda mais a pescaria noturna. É um bom momento, portanto. Pratique a pesca esportiva. Incentive o pesque-e-solte e preserve sempre.

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Iluminar o local

Ao usar o lampião a gás é importante lembrar que este acessório fornece uma luz intensa, que não deve incidir sobre as águas, pois poderá influenciar nas ações do peixe. Para iluminar bem o local e evitar que o poço também fique claro, basta fixar um anteparo no lampião para evitar a fuga da claridade na direção do rio.

Quem não tiver o apetrecho, pode valer-se de um farolete ou mesmo de uma vela. Neste caso, e para que dure um pouco mais e não se apague com freqüência, é necessário que ela esteja dentro de uma luminária com vidro.

Quem dispuser do conforto de ter uma área iluminada com energia elétrica, deve evitar o foco na água, pois confunde o peixe a ponto de levá-lo a não expôr-se e, por conseqüência, a não atacar a isca.

Resumindo, a iluminação é necessária, mas somente até o limite de atuação do pescador.

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