Bairros

Moradores protestam contra buracos

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Revoltados com o que consideram como descaso da Prefeitura Municipal, moradores do núcleo bauruense Edson Francisco Silva organizaram, anteontem à noite, um protesto contra os buracos que tomam conta do bairro há pelo menos dois anos.

A manifestação, que iniciou-se por volta das 19h e durou cerca de uma hora, ocorreu na quadra 2 da rua Marina Negrato, uma das vias em piores condições. Após montarem uma barricada de fogo ateado em pneus e galhos secos, os moradores cobraram melhorias para a infra-estrutura do bairro, principalmente no asfalto.

Segundo o presidente da associação de moradores do núcleo, Adriano Queiroz Pimenta, a situação na rua Marina Negrato é agravada pelo fato da via ser um dos principais corredores de ônibus do bairro, que trafegam com extrema dificuldade pelo local. “Anteontem pela manhã um deles ficou encalhado em um dos buracos. O asfalto mais parece uma casca de ovo e, como as galerias pluviais estão entupidas, o piso vai cedendo”, critica.

Outro que também encabeçou a manifestação foi o jovem Rafael Alexandro Viudes, 19 anos, que reside há um ano no núcleo. “Foi a forma que encontramos para chamar a atenção das autoridades, que durante todo o tempo em que moro aqui nada fizeram para melhorar nossa situação”, esbraveja ele.

Para Pimenta, que estima que 80% das ruas do bairro apresentem deficiências na capa asfáltica, o povo demonstrou na manifestação todo seu inconformismo contra o descaso e às várias promessas de soluções feitas e não cumpridas até o momento pelo Poder Executivo, através das Secretarias das Administrações Regionais.

O presidente revela já ter enviado pelo menos dois ofícios - um encaminhado em 7 de fevereiro do ano passado e o outro em 3 de setembro de 2002 - à unidade da secretaria regional responsável pelo núcleo Edson Francisco Silva cobrando providências para melhorar a precária infra-estrutura do local e a retomada da operação tapa-buracos, realizada em 2001.

Entretanto, Pimenta ressalta que após o envio do segundo documento, o titular da Secretaria das Administrações Regionais de Bauru, Arlindo Marques Figueiredo, percorreu o bairro e teria prometido que no prazo de uma semana a operação tapa-buracos seria reiniciada, o que acabou não ocorrendo, conforme o presidente.

Entretanto, mais ainda do que os buracos, o que aumenta a ira de Pimenta é o fato da associação ter de “assumir” o papel da prefeitura na tentativa de solucionar as deficiências de infra-estrutura do bairro. “Ela não toma conta de suas áreas públicas. Fico indignado que uma associação exista praticamente para ficar limpando mato e fechando buracos”, protesta ele.

Boicote

A revolta de Pimenta com a situação do núcleo é tão grande que ele já estuda tomar uma medida radical: entrar com uma ação junto ao Ministério Público de Bauru para garantir o direito de, quem quiser, não pagar mais impostos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), até que alguma providência seja tomada pelo Executivo.

Segundo o presidente da associação, a população se esforça para quitar as despesas com os impostos, mas nada é revertido em contrapartida para o núcleo. Por isso, somente uma única atitude o faria desistir da intenção de deflagrar a campanha de boicote aos tributos: reunir-se pessoalmente com o prefeito Nilson Costa.

“Tentamos por várias vezes, sem sucesso, marcar uma reunião com ele, mas só fomos atendidos por assessores. Já estamos cansados disso e queremos falar direto com o chefe do Executivo”, cobra Pimenta. “O bairro não é um depósito de votos para ser lembrado pelas autoridades apenas durante as campanhas eleitorais”, ataca o presidente da associação.

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Outras alçadas

Procurado pela reportagem do JC para falar sobre o assunto, o secretário das Administrações Regionais de Bauru, Arlindo Marques Figueiredo, ressaltou que não compete à sua pasta a solução dos problemas reclamados pelos moradores. “Minha missão eu cumpri, que foi acionar a secretaria de Obras e o Departamento de Água e Esgoto (DAE)”, afirma.

Além disso, conforme Figueiredo, operações tapa-buracos não resolveriam a questão no núcleo. “Seria uma medida paliativa, pois para solucionar definitivamente as ruas teriam de ser recapeadas”, conclui ele.

Como o DAE e a Secretaria de Obras encontravam-se fechadas ontem, não foi possível à reportagem do JC ouvir os órgãos a respeito do assunto.

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