Barra Bonita - A dissertação de mestrado do jornalista e advogado Miguel Angelo Napolitano prega a união econômica de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê. Pelos estudos feitos por ele, esse seria o caminho para reduzir custos e poder competir com outros mercados que têm no turismo sua mercadoria mais valiosa.
A idéia teve como base inspiradora a formação de grandes blocos internacionais, como a União Européia, o Nafta e o Mercosul. Após analisá-los detalhadamente, Napolitano viu nessas iniciativas um grande potencial para o desenvolvimento econômico e passou a sugerir a adoção do mesmo modelo dentro do País - começando pelos municípios.
Classificadas como estâncias turísticas, tanto Igaraçu como Barra Bonita, embora estejam geograficamente muito próximas, não possuem nenhuma ação conjunta para a exploração dos recursos naturais que possuem.
O que se observa, ao contrário, é uma certa “rivalidade†entre elas, com cada uma querendo ser melhor do que a outra. Em tese, essa disputa pode até mesmo trazer benefícios para as duas cidades.
“Enquanto elas ficam brigando entre si para mostrar quem é a melhor, Brotas vai se destacando como referência regional para os amantes do ecoturismoâ€, alertou Napolitano.
Nessa briga, o aspecto econômico é bem mais favorável a Barra Bonita. Conseqüentemente, o poder de fogo da cidade, para atrair turistas, se sobrepõe ao da vizinha Igaraçu.
Além de possuir uma das mais importantes usinas de açúcar e álcool do País, Barra Bonita fica ainda com todo o repasse do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) feito pela AES Tietê.
Após a privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a empresa assumiu o controle da represa, que fica entre as duas cidades, mas só Barra Bonita recebe os impostos.
O estudo feito por Napolitano tem em sua base evitar justamente esse tipo de desigualdade entre os municípios.
Ele defende uma administração “solidária†nessas duas cidades. Napolitano entende que a formação de blocos entre municípios possibilitaria a cooperação e a defesa de objetivos e interesses comuns.
A intenção do trabalho, segundo ele, é começar uma espécie de plano piloto nas duas cidades e depois ampliar isso para o resto do Brasil.
A escolha de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, como base para o estudo, obedeceu aspectos puramente particulares, segundo Napolitano.
“A família de minha esposa reside em Barra Bonita. Então, de vez em quando nós passamos o fim de semana láâ€, disse. “(Nessas viagens) comecei a perceber que a Barra tinha dinheiro e Igaraçu não. Notei que tudo está centrado em Barra Bonita. Mas, na prática, ambas formam uma cidade sóâ€, frisa ele.
Geograficamente, Barra e Igaraçu constituem um caso único na região. A um turista desavisado, pode parecer que as duas margens do rio Tietê são ocupadas pela mesma cidade.
Na verdade, o rio, de aproximadamente 150 metros de largura, é a divisa entre os dois municípios.
Como consequência do maior desenvolvimento econômico de Barra Bonita, Igaraçu acabou se transformando numa cidade-dormitório.
Ambas foram declaradas estâncias turísticas porque dependem economicamente da exploração dos potenciais recreativos das águas do rio Tietê.
“Afora esse aspecto, as duas cidades não têm mais nada em comum. Elas não cooperam entre si. Cada uma tem um plano de turismo e as festas (as principais são Fepatur e Igarafest) são organizadas individualmenteâ€, constatou Napolitano.
Na opinião dele, é preciso que os dois prefeitos passem a administrar as cidades conjuntamente, com os mesmos planos de desenvolvimento.
O trabalho em conjunto, segundo ele, traria uma programação mais diversificada, com redução de custos.
“Vendo essa integração que está ocorrendo no mundo, eu pensei: ‘Por que isso não pode ser feito também entre municípios?’â€, questionou.
A integração defendida pelo advogado, no entanto, não se restringe apenas a questões meramente turísticas.
Napolitano sugere ainda a elaboração de uma política de recolhimento de lixo reciclável.
Seria uma maneira de aproveitar as instalações de uma fazenda-escola, que existe na cidade e faz esse tipo de serviço. Além disso, seria uma atitude ecologicamente correta (apreciada por turistas) e que viria acompanhada por um discreto ganho financeiro.
“O lixo seria separado e vendido e o lucro repartido (de maneira simbólica) em partes iguais entre as duas cidadesâ€, teorizou Napolitano.
Hoje, não existe coleta seletiva em nenhum dos dois municípios.
A tendência, segundo o advogado, é que em um futuro bem próximo os prefeitos passem a administrar as cidades como empresário e não mais como políticos.
“Porque é isso o que a Lei de Responsabilidade Fiscal exigeâ€, lembrou ele.
A dissertação de mestrado foi apresentada por Napolitano, no fim do ano passado, no Centro de Pós-Graduação da Instituição Toledo de Ensino (ITE) de Bauru.