De acordo com os mestres Fernando Lima e Isabel Figueiredo, trabalhar a respiração, a vocalização e a concentração é essencial para quem quer praticar o yoga. Sem esses cuidados, a seqüência de gestos apresentada na página anterior funcionará apenas como mais uma atividade física.
O primeiro passo, segundo os professores, é preparar o ambiente. Seja ao ar livre ou dentro de casa, deve-se escolher um local onde se sinta bem, com iluminação, som e ventilação confortáveis. Alguns podem preferir o canto dos pássaros num dia de sol ao jardim. Outros podem optar pela penumbra no próprio quarto, ouvindo uma música suave e relaxante.
Os incensos também são bem-vindos. Eles ajudam a absorver as cargas ruins do ambiente e facilitam a respiração, purificando o organismo. “Mas é recomendável escolher os incensos naturais, feitos com resinas. Os produtos perfumados encontrados nas lojas são apenas aromatizantes e não oferecem o mesmo resultadoâ€, comenta Lima.
A pessoa deve usar roupas leves, com tecidos maleáveis e que não apertem. Deve-se retirar os sapatos e fazer os exercícios sobre tapetes macios, esteiras ou colchonetes.
Para praticar o yoga, a pessoa deve isolar-se dos problemas e pensar exclusivamente em si, em seu corpo, observando atentamente o que acontece com seu organismo enquanto inspira, expira e se movimenta. O yoga é um momento de introspecção, quando a única preocupação deve ser a busca pelo equilíbrio físico, mental e emocional.
Enquanto fica em uma posição, o iniciante deve manter uma respiração tranqüila, porém completa. “A pessoa deve inspirar lenta e profundamente, sentindo o ar chegar a todos os órgãos e tecidos do corpo. A expiração, quando as impurezas são eliminadas, deve ser ainda mais lentaâ€, observa Lima.
Depois de algum tempo, o praticante pode seguir os exercícios com uma respiração mais forte, mais rápida. “Existe a respiração sonora, em que o ar passa pela glote na inspiração e na expiração, fazendo um barulho (semelhante ao ronco) que tem efeito relaxanteâ€, afirma Figueiredo.
Outra opção são as vocalizações (mantras), em que a pessoa emite sons enquanto se concentra e medita. “O mantra básico é o “OMâ€. A pessoa diz “OM†de forma harmônica e rítmica durante alguns minutos. Este som pode ter efeito relaxante e proporciona grande bem-estarâ€, ressalta Lima.
Outra forma de relaxamento usada pelo yoga é a mentalização (ou visualização). Enquanto permanece em determinada posição, alongando ou apenas respirando, a pessoa imagina que está envolta por uma agradável aura, uma redoma de luz azul - cor tranqüilizante. Geralmente, isso é feito logo nos primeiros movimentos do yoga e pode ser mantido pelo tempo que a pessoa considerar confortável.
Limite
Durante todo o tempo, o praticante deve sentir-se bem. As posições de relaxamento, concentração e meditação podem ser mantidas pelo tempo que a pessoa julgar conveniente. “Geralmente, nós recomendamos um intervalo de cinco a dez respiraçõesâ€, comenta Figueiredo. Pode ser mais ou menos se o praticante preferir.
“Em todos os exercícios, a dor é o limiteâ€, adverte Lima. Segundo ele, o objetivo do yoga não é a integração do indivíduo com seu corpo e o ambiente que o cerca. A pessoa vai aprender a conhecer e trabalhar com seu corpo.
“Mas ninguém precisa ficar esticando e enrijecendo a musculatura. Esse é um processo natural, que acontece gradualmente. Os exercícios estimulam a produção de substâncias que conferem elasticidade ao corpoâ€, salienta.
Segundo os professores, a tendência é que a flexibilidade aumenta com o tempo, mas de uma maneira muito espontânea. Se o aluno não consegue encostar as mãos no chão quando curva a coluna, ele não deve insistir. Apenas relaxar. O próprio relaxamento acaba facilitando o movimento do corpo.
Tudo deve ser sempre coordenado com a respiração e a mentalização, seja de cores ou de como trabalha o organismo naquele momento.