Cultura

Ah! Os poetas...

Por Ercília Pollice | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Ah! Os poetas... brincam com as palavras. Dizem coisas que sentimos, mas não sabemos como dizê-las.

Fazem-nos felizes quando colocam no papel, nossos anseios, e sonham conosco, nossos sonhos mais secretos.

Que seria de nós simples mortais, se Deus, não tivesse dado a alguns, esse dom maravilhoso de captar sentimentos, os mais ambíguos, e ter a sensibilidade de explicá-los, de maneira tal, que nos sentimos, como se alguém estivesse lendo nossa alma?

É a palavra certa, a emoção perfeita, o tom adequado, que fazem um simples texto, ter som, ter cor, ter textura, ter sabor, e ainda traduzir com simplicidade, nossas vastas emoções e sentimentos, até então, imperfeitos.

E as palavras vão penetrando em nosso coração ao mesmo tempo em que parecem estar saindo de nós, e, num relance sentimos nosso eu desnudado inteiramente.

Então, as sensações impressas no nosso eu profundo, até então inexplicáveis a nós próprios, confusas algumas vezes, são expressas de forma tão simples e clara, que nos pegamos a questionar, como não havíamos pensado nisto, desta maneira, se era exatamente assim, que nos sentíamos?

Sentimentos fazem parte de um departamento complexo e inusitado, cheio de sutis meandros, nem sempre captáveis.

Sentimentos, sempre, trazem um componente novo, até então, por nós desconhecido, e sempre temos dúvidas ao administrá-los, quer tenhamos vivido ou não situações onde eles comandaram.

É a velha história, de nunca ser igual, mergulharmos duas vezes no mesmo rio, mesmo que seja da mesma ponte; a água é outra, e, nós, também, não somos os mesmos.

Mudamos a cada dia! E, esta é a única maneira de permanecermos fiéis a nós mesmos. Saber mudar para permanecer lúcido e inteiro!

O poeta a nos dizer que o vasto mundo cabe na janela sobre o mar.

E este mar imenso, assustador e belo, cabe num simples espaço de beijar.

Coisa linda de se pensar. Quando amamos, a importância, de todas as coisas, torna-se pequena e tudo se condensa num simples beijo.

Como o mesmo poeta já disse: “As coisas tangíveis, tornam-se insensíveis, nas palmas das mãos, mas as coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão!”

Tomara tenhamos muitas coisas findas e lindas, impressas em nosso coração, pois isto, um dia, fará uma grande diferença! (Ercília Ferraz de Arruda Pollice, poeta, escritora, colaboradora de Ju Machado-Escritório de Arte)

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