Tribuna do Leitor

A cobra e o pirilampo


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Há pouco tempo, a Ana Maria Braga nos brindou em seu programa televisivo com uma estória que reflete a realidade do que se passa no convívio social entre os homens. É uma estória tão atual e interessante que me senti inclinado reproduzi-la com minhas próprias palavras. Assim, peço vênia a fim de expô-la. Ei-la:

Um despreocupado pirilampo, cansado de sua faina noturna, pousou sobre uma rocha, a fim de descansar. Mal havia se assentado, quando uma cobra avançou sobre ele com o intuito de devorá-lo. Embora surpreso, teve tempo de alçar vôo, pousando em seguida a alguns metros à frente.

A perseguição, entretanto, continuou; a cobra desejava de qualquer maneira banquetear-se daquele inocente inseto.

Este, dirigindo-se ao réptil, interpelou-o: - Senhora, eu não sou seu alimento predileto; por que é que me persegue, tentando me devorar? Por que não procura se alimentar de outro ser, que possa satisfazer plenamente seu paladar?

Responde a cobra: - Não é que eu o deseje como alimento; eu o persigo, porque você brilha.

Surpreso, pondera o pirilampo: - Qual é a relação do meu brilho com sua ameaçadora atitude?

Retruca o réptil: - É que seu brilho me machuca, me perturba, me faz sofrer.

Na vida real, em sociedade, os homens probos e honestos, que com sua luz interior iluminam o caminho a outros seres, sempre se deparam com alguma serpente, que deseja alcançá-los, destruí-los e devorá-los. Isto porque seu brilho afeta, perturba, machuca e faz sofrer os pobres de espírito, que preferencialmente se alojam, se atocaiam, nos desvãos escuros da vida. (Áureo Corrêa de Souza - RG 3.538.605)

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