Regional

Sujo e assoreado, rio precisa de socorro urgente

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O Batalha caminha a passos largos rumo à desertificação. Com a nascente desprotegida e uma mata ciliar precária em alguns trechos, o rio está registrando seguidas quedas em seu nível.

De acordo com as previsões do ambientalista Rodrigo Agostinho, feitas no fim do ano passado, no ritmo que está, o nível do rio Batalha deve chegar próximo a zero em apenas três anos. São aproximadamente 167 quilômetros de extensão, cuja nascente fica em Agudos. Depois de passar por Bauru, Avaí e Reginópolis, o Batalha deságua no rio Tietê, próximo a Uru.

Nesse trajeto é fácil encontrar bancos de areia no leito do rio; o que normalmente provoca assoreamento e mais tarde resulta em desertificação.

Se for levada em consideração o atual volume do rio, a previsão de Agostinho não está tão distante de se transformar em realidade.

De acordo com o ex-prefeito de Avaí e tenente-coronel da reserva, Sérgio Andrade Moreira, só nos últimos 12 meses o rio Batalha teria baixado seu volume em aproximadamente um metro.

Moreira possui um rancho às margens do rio, em Avaí, desde 1986. O ex-prefeito, mais conhecido na cidade como ‘Capitão’, conta que naquela época era normal ver pessoas pescando, nadando ou mesmo passeando de barco. Hoje, o volume de água que passa ao lado de sua propriedade não oferece condições para nenhuma dessas três práticas.

Segundo Moreira, se um barco se aventurar a percorrer o rio pode ficar encalhado em algum dos vários bancos de areia que tomaram conta do trajeto.

Apesar do volume do Batalha estar registrando queda ano após ano, Moreira disse que a situação teria se agravado nos últimos dois anos. “O que me dá mais medo é a possibilidade de um dia ver esse rio seco”, revelou o militar, que nasceu e cresceu em Avaí e teve a vida sempre ligada ao rio.

Desde sua nascente, em Agudos, o rio Batalha recebe água de afluentes como o córrego Água da Faca, Água do Paiol, Antinha, Araribá, Anhumas, Jacutinga e Batalhinha. Mas infelizmente não é só água que é despejada no Batalha. Quando ele passa por Bauru recebe esgoto de alguns bairros da cidade. O mesmo acontece em Reginópolis, mas em menor quantidade. Em Avaí, o esgoto passa por tratamento antes de ser despejado no rio.

Em 2001, a Assembléia Legislativa aprovou projeto de lei de autoria do deputado Pedro Tobias (PSDB) que transformou a bacia hidrográfica do rio Batalha em Área de Preservação Ambiental. No ano passado, a Câmara Municipal de Bauru aprovou lei semelhante.

Desde então, ficou proibido o avanço da área urbano do município em direção ao rio. Deixaram de ser permitidos também loteamentos que pudessem prejudicar ainda mais o Batalha, com o despejo do esgoto. “O Batalha tem solução, mas depende de investimentos. É preciso reflorestar as margens do rio, o que está sendo feito pelo Fórum Pró-Batalha, pela Aciflora e pelo Vidágua, apesar do ritmo ser lento”, afirmou Agostinho, no fim do ano passado.

Em alguns trechos, o Batalha chega a uma profundidade de apenas 20 centímetros. Na opinião do ambientalista, o combate às erosões é a parte mais difícil da recuperação. Segundo ele, em 22 quilômetros de extensão, existem cerca de 100 erosões no rio Batalha.

O geólogo Nariaqui Cavaguti, concorda com Agostinho. Na opinião dele, as erosões têm reduzido o volume de água do rio porque causam o assoreamento.

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