O grupo de cerca de 100 pessoas que montou acampamento no Horto Florestal de Aimorés, em Bauru, anteontem pela manhã, ganhou mais 15 integrantes na tarde de ontem.
Um dos acampados, que se identificou apenas como Paulo, diz que os novos membros são provenientes da cidade de São Paulo. “Eles não poderiam ter vindo no sábado por causa da religião. Eles são evangélicosâ€, explica.
Na tarde de ontem, o acampamento já estava completamente montado, apesar de faltar algumas lonas para cobrir a cozinha comunitária.
Com medo das chuvas, os acampados ainda mantêm as provisões de alimentos trazidas de suas cidades de origem no caminhão que fez a mudança. As tarefas já estão sendo divididas em grupos. Há revezamento para a segurança do acampamento, montagem das barracas, preparo de alimentos e trabalho em um terreno que deve dar origem à horta comunitária.
As famílias vieram de várias regiões dos Estados de São Paulo e do Paraná. De acordo com Paulo, eram pessoas que estavam desempregadas e passando necessidades. O grupo afirma não ter líderes nem vínculos com outros movimentos.
“Os que são necessitados acabam se encontrando. Viemos para essa área porque ela já é invadida. Mas procuramos um ponto que não é cercadoâ€, explica.
Durante o final de semana, o grupo recebeu a visita de representantes da regional de Bauru da Comissão Pastoral da Terra (CPT), movimento ligado à Igreja Católica. “Eles nos trouxeram apoio e a esperança de que nós podemos procurá-losâ€, diz Paulo, que pretende procurar apoio de outras entidades da região.
A principal necessidade das famílias, no momento, é leite para alimentar as crianças. Os acampados ainda não têm planos bem delineados e afirmam que se houver a possibilidade, eles devem ficar no terreno do horto. “Se aparecer outra sugestão e o governo nos oferecer outro lugar, podemos aceitar e nos mudarâ€, salienta.
A empresa VCP Florestal S/A (Grupo Votorantim) é arrendatária de parte as terras do horto, a Fazenda Guaianás. A outra parte vem sofrendo invasões. As informações iniciais são de que a ocupação ocorreu na divisa da gleba arrendada.
Recentemente, a Justiça de Bauru promoveu a reintegração de posse de uma parte da área arrendada à Votorantim, onde grileiros já haviam construído uma cerca e barracos e se preparavam para criar gado. A ocupação atual foi pacífica e teve apenas o acompanhamento da Polícia Militar (PM).