O que ainda falta fazer nas principais nações do mundo para que elas se completem? O que já fizeram norte-americanos, canadenses, britânicos, russos, alemães, franceses, italianos, espanhóis e outros mais para deixar seus países na privilegiada estatura econômica, social e geográfica que ostentam hoje, na idade de cinco mil anos ou pouco mais? Realizaram muito, como conhecem os seus milhões de habitantes e tantos que visitam turisticamente tais regiões, como este jornalista que, tendo percorrido oito daqueles países, constatou que quase nada lhes falta, pois ostentam um sistema político-administrativo organizado, uma estrutura social satisfatória, circulação viária perfeita e comércio e indústria em funcionamento normal, graças ao que suas populações bem pouco têm para reivindicar. Nas outras regiões, problemas existem em quantidade, não porque sejam de nascimento recente, pouco além de 500 anos, mas porque seus dirigentes vivem esbarrando em contenções de difícil superação.
Na semana em que deixou a presidência, Fernando Henrique Cardoso justificou as omissões de sua administração, enfatizando ter feito “o que podeâ€. Realmente o fez, porém deixou de fazer muita coisa mais que teria podido. Iniciativas que continuam gritando, tanta falta fazem em inúmeros setores da vida pública. Acreditando, no entanto, continuar vendo, sem binóculos ou lentes de contato, “um Brasil democrático e um Brasil progressistaâ€, não será por ter deixado a governança que poderá abrir mãos de atribuições que lhe venham a ser despejadas, como as de membro privilegiado do Conselho Internacional para que acaba de ser designado por mentores de organizações influentes. Terá de continuar trabalhando, como estadista que é, objetivando a solução das questões que herdou de seus antecessores e não conseguiu resolver, para o que dispõe de forças políticas latentes em seu caminho. Então, o que não fez até ontem poderá executar a partir de amanhã, dentro do dever de implantar no País as estruturas dos desenvolvidos. Estacionar, como “taxi†sem serviço, é que não pode, pois, se o veículo não se impacienta, os passageiros o fazem ansiosos de que a Nação não pare de correr atrás dos que logicamente estão na dianteira. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)