Política

Luminárias teriam sido doadas a seis entidades

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O empresário João Gonçalves Souza Filho, proprietário da empresa GL Gonçalves Souza e Filhos Ltda., afirmou ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras que o material elétrico retirado da Câmara Municipal após a reforma teria sido doado a seis entidades da cidade.

Ele não citou nomes. “Eu ouvi isso nos bastidores”, disse aos integrantes da comissão de investigação. Bens materiais de propriedade do Poder Legislativo só podem ser doados mediante projeto de lei autorizativo. Não há registro de que o plenário tenha votado a autorização para a doação.

A empresa de Souza Filho foi a responsável pelo fornecimento dos materiais para a realização da reforma elétrica.

Segundo dados levantados pelo relator da CEI, vereador José Humberto Santana (PV), as obras teriam custado mais de R$ 100 mil aos cofres do Poder Legislativo.

O empresário confirmou que foram trocadas cerca de 200 luminárias, reatores, lâmpadas, fiações e fixação de canaletas. Souza Filho, porém, afirma que o material fornecido por sua empresa e mais a mão-de-obra custaram R$ 61 mil e não R$ 100 mil, conforme diz Santana.

A diferença está no fornecimento de materiais por outras empresas. Ele garante que a reforma produziu economia no consumo de energia do Legislativo proporcionada pela troca de luminárias de 40 watts de potência pelas de 32 watts e mais a substituição de reatores.

Auditoria

O engenheiro eletricista Nilton José Saggioro também prestou depoimento à CEI das compras. Ele foi o responsável pela auditoria energética realizada na Câmara Municipal em maio de 2001.

Ele conta que foi contratado para fazer auditoria na época em que foi anunciado o racionamento de energia elétrica pelo governo.

O engenheiro explica que o levantamento feito não englobou os aspectos físicos das instalações elétrica do Poder Legislativo. “Não fiz uma radiografia física”, relata.

Saggioro diz que seu relatório apontou as medidas as quais a Câmara deveria providenciar para não ser sobretaxada no período do racionamento e não correr o risco de ter o fornecimento de energia cortado pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Ele sugeriu que os microcomputadores fossem desligados durante uma hora por dia. Também apontou a necessidade de se trocar as luminárias. “Até onde eu sei, o programa implantado na Câmara foi coroado de êxito”, avalia.

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