O empresário João Gonçalves Souza Filho, proprietário da empresa GL Gonçalves Souza e Filhos Ltda., afirmou ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras que o material elétrico retirado da Câmara Municipal após a reforma teria sido doado a seis entidades da cidade.
Ele não citou nomes. “Eu ouvi isso nos bastidoresâ€, disse aos integrantes da comissão de investigação. Bens materiais de propriedade do Poder Legislativo só podem ser doados mediante projeto de lei autorizativo. Não há registro de que o plenário tenha votado a autorização para a doação.
A empresa de Souza Filho foi a responsável pelo fornecimento dos materiais para a realização da reforma elétrica.
Segundo dados levantados pelo relator da CEI, vereador José Humberto Santana (PV), as obras teriam custado mais de R$ 100 mil aos cofres do Poder Legislativo.
O empresário confirmou que foram trocadas cerca de 200 luminárias, reatores, lâmpadas, fiações e fixação de canaletas. Souza Filho, porém, afirma que o material fornecido por sua empresa e mais a mão-de-obra custaram R$ 61 mil e não R$ 100 mil, conforme diz Santana.
A diferença está no fornecimento de materiais por outras empresas. Ele garante que a reforma produziu economia no consumo de energia do Legislativo proporcionada pela troca de luminárias de 40 watts de potência pelas de 32 watts e mais a substituição de reatores.
Auditoria
O engenheiro eletricista Nilton José Saggioro também prestou depoimento à CEI das compras. Ele foi o responsável pela auditoria energética realizada na Câmara Municipal em maio de 2001.
Ele conta que foi contratado para fazer auditoria na época em que foi anunciado o racionamento de energia elétrica pelo governo.
O engenheiro explica que o levantamento feito não englobou os aspectos físicos das instalações elétrica do Poder Legislativo. “Não fiz uma radiografia físicaâ€, relata.
Saggioro diz que seu relatório apontou as medidas as quais a Câmara deveria providenciar para não ser sobretaxada no período do racionamento e não correr o risco de ter o fornecimento de energia cortado pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).
Ele sugeriu que os microcomputadores fossem desligados durante uma hora por dia. Também apontou a necessidade de se trocar as luminárias. “Até onde eu sei, o programa implantado na Câmara foi coroado de êxitoâ€, avalia.