Uma das proprietárias da Volare Comércio e Obras Ltda., Maria Benázio da Silva - empresa que prestou vários serviços à Câmara Municipal -, é cunhada do vereador Osvaldo Paquito (PPS). O outro sócio da empreiteira, Vanderlei Jesus da Silva, é seu sobrinho. A informação foi confirmada ontem pelo próprio parlamentar.
Paquito anunciou no último dia 8 que havia depositado um cheque no valor de R$ 1.682,58, emitido pela Câmara Municipal nominal para a Volare, em sua conta bancária. A operação foi feita no dia 11 de janeiro de 2001.
O parlamentar diz que fez o depósito para ajudar o pintor de paredes Paulo Antonio Velasco, que prestou serviço ao Poder Legislativo e tinha urgência em receber o dinheiro.
“A Maria Benázio da Silva é minha cunhada, mas a empresa não é fantasmaâ€, defende-se. Porém, Paquito explica que a Volare está desativada.
“O último servicinho ela fez aqui na Câmara. Ela tem a documentação dela. Tem talão de nota e tudo. Só que não trabalha mais. Perdeu a finalidade. Está desativada, mas não deu baixa na Jucespâ€, relata.
Segundo apuração feita pelo Jornal da Cidade, a Volare nunca recolheu Imposto Sobre Serviços (ISS). Seu registro de criação data de 16 de abril de 1999. A empresa não entregou à Prefeitura de Bauru a Declaração de Movimentação Econômica (Dame) dos anos de 1999, 2000 e 2001.
No total, a empreiteira deve aos cofres públicos municipais R$ 730,40. Além de estar impedida de retirar Certidão Negativa de Débito (CND), a Volare vai ter a sua dívida inscrita na lista de execuções fiscais.
Um extrato emitido pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) aponta que a empresa está estabelecida na rua Benjamin Constant, 3-57, próximo à avenida Nações Unidas.
A reportagem do JC foi até o local e constatou que há uma placa de “aluga-seâ€. O imóvel está vazio. O telefone que consta na nota fiscal (227-2234) é de um escritório de arquitetura, cujo representante desconhece a empresa.
Empresa familiar
Vanderlei Jesus da Silva e Maria Benázio Silva, proprietários da Volare, residem no núcleo habitacional Mary Dota.
Maria é mãe de Vanderlei. Em declaração ao JC, ela afirmou, em tom de dúvida, que tinha conhecimento de que era sócia da Volare.
Informou, ainda, que seu filho, Vanderlei, é funcionário de uma distribuidora de bebidas, embora tenha afirmado que ele teve, no passado, uma empresa de prestação de serviços. Questionada se conhecia Paquito, Maria disse que somente de nome.
“Comprei a notaâ€
O pintor de paredes Paulo Antonio Velasco confirmou que prestou serviços à Câmara Municipal. E mais: “Eu comprei (da Volare) a nota porque se exigia (por parte da Câmara) que tivesse uma nota para fazer o pagamentoâ€, relata.
Pelas declarações do pintor, entende-se que a Volare não prestou serviços de forma direta ao Poder Legislativo, mas apenas forneceu a nota fiscal para que o pagamento, no valor de R$ 1.682,58, fosse legalizado.
Ele explica que pintou as paredes dos 21 gabinetes dos vereadores. “Pintei todos eles. Trabalhei durante um mês. Fui na Câmara para fazer um serviço para ele (Paquito). Aí o pessoal gostou e pediu para fazer a pinturaâ€, disse.
Velasco confirma a versão do vereador do PPS sobre o depósito do cheque. “Ele só fez para mim o favor de sacar o dinheiro porque eu não tinha conta correnteâ€, conta.