O Conselho Tutelar de Bauru está pleiteando a instalação de um abrigo provisório para crianças e adolescentes encontradas abandonadas ou pedindo dinheiro nas ruas da cidade, até que elas sejam devolvidas às suas famílias ou encaminhadas para participar de atividades de alguma entidade.
Em reunião feita anteontem, para tentar encontrar solução para o número de crianças que pedem dinheiro nas ruas, que aumenta na época de férias, as cinco conselheiras do órgão concluíram que é preciso um abrigo provisório.
“De imediato precisamos de um serviço S.O.S. Passagem, para abrigar essas crianças e adolescentes até que os pais sejam contatados ou a Justiça determine a guarda a uma família adotivaâ€, explica Darlene Martin Têndolo, presidente do Conselho Tutelar.
O abrigo, segundo ela, poderia funcionar em uma entidade que já trabalha com crianças e adolescentes. “Não seria um projeto caro e ajudaria muito. Estamos enviando um relatório com essa reivindicação ao Gabinete do prefeito Nilson Costa, ao Conselho dos Direitos da Criança e Adolescente e ao Ministério Públicoâ€, completa.
O aumento na quantidade de crianças e adolescentes que na época de férias vão para as ruas pedir dinheiro foi um dos assuntos discutidos na última reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul, realizada na semana passada. Na ocasião, Primo Mangialardo, presidente do órgão, cobrou uma solução para o problema.
A estimativa de Mangialardo é que existem cerca de 60 crianças e adolescentes que freqüentemente pedem dinheiro nas ruas de Bauru. Para Darlene, o número é menor: aproximadamente 30 crianças e adolescentes. “Sabemos que são as mesmas, com histórico de famílias muito pobres e, às vezes, sem nada para comer em casa. Nas férias, sem o lanche da escola ou da creche, passam a pedir dinheiro nos semáforosâ€, diz.
A presidente do Conselho Tutelar pede à população que não dê dinheiro às crianças nas ruas. “Se as pessoas dão, elas continuam lá. E dar uma moeda não resolve nada na vida dessas criançasâ€, chama a atenção.
Mas Darlene frisa que a redução no número de menores que vivem nas ruas ou vão para as ruas pedir dinheiro e depois retornam para suas casas depende de políticas sociais mais amplas. “De imediato estamos pedindo um S.O.S. Passagem e um levantamento social da cidade. Mas é preciso implantar mais projetos como o Girassol, existente no Fortunato Rocha Lima, para que as crianças não fiquem nas ruas e comecem a esmolarâ€, frisa.
Em entrevista ao JC recentemente, alguns dos menores que pedem dinheiro nos semáforos disseram que moram com os pais e aproveitam o tempo livre nas férias para ficar na rua. Eles chegam a ganhar entre R$ 20,00 e R$ 30,00 por dia, dinheiro gasto com comida na rua e objetos pessoais.
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Proposta será analisada
A proposta do Conselho Tutelar, de criar um abrigo provisório para crianças e adolescentes de rua, ainda não chegou ao Conselho dos Direitos da Criança e Adolescentes que define as políticas para o setor, e à Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), responsável por viabilizar o atendimento.
Rivaldo Paccola, presidente do Conselho dos Direitos da Criança e Adolescente, afirma que vai analisar a proposta e analisar se é a melhor política a ser adotada. â€œÉ um assunto que precisa ser discutido com todos os integrantes do conselhoâ€, frisa.
Presidente do conselho há poucos dias, Paccola frisa que é preciso reavaliar as políticas de atendimento a crianças e adolescente em Bauru. Porém, ele acredita que é possível as entidades já instaladas redefinirem a linha de atuação e passarem a oferecer o abrigo.
Maria Inês Garcia Bini, que está respondendo pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), prefere receber o relatório do Conselho Tutelar para dar um parecer sobre o pedido de criação do abrigo. Ela lembra que a Sebes viabilizou, no ano passado, um abrigo para meninas, acatando uma solicitação feita pelo Conselho Tutelar.